Fernando
O quarto estava em penumbra, iluminado apenas pela luz suave de um abajur. Lizandra permaneceu ao lado da porta com os braços cruzados ao redor do corpo.
— Eu sinto muito pelo que aconteceu no jantar. Pelo constrangimento. Eu não deveria ter permitido que chegasse àquele ponto. Não vai se repetir. Eu prometo. A Viviane não tem o direito de fazer o que fez… nem de dizer qualquer coisa que te diminua.
Lizandra me encarou com o olhar firme, mas ferido.
— Será mesmo? Porque eu não sei como funciona… você e ela.
A frase me atingiu como um soco e dei um passo à frente indignado.
— Não funciona de forma alguma. Eu não tenho nada com a Viviane. Nunca tive. Sempre fui claro. Eu nunca quis nada com ela.
Lizandra descruzou os braços e desviou o olhar antes de perguntar:
— Vocês já tiveram alguma coisa?
A pergunta ficou suspensa no ar. Demorei demais para tentar formular uma resposta, e ela percebeu. Mas eu não queria mentir. Contei a verdade.
— Houve… uma noite — admiti. — Eu estava no