KIEZA JONES
O aeroporto sempre me pareceu um lugar onde as pessoas deixam versões de si mesmas para trás.
Talvez por isso eu odeie tanto estar aqui.
E hoje estava mais barulhento do que eu lembrava.
Ou talvez eu só tivesse me desacostumado com lugares onde a felicidade das outras pessoas não pede permissão para existir.
— KI! — a voz do meu irmão ecoou acima do burburinho geral, e antes que eu pudesse me preparar emocionalmente, Kai já vinha na minha direção com aquele sorriso aberto demais para caber no rosto.
Ele largou a mala no meio do caminho e me puxou para um abraço forte, daqueles que deslocam o ar dos pulmões.
— Você está real — ele murmurou. — Eu estava começando a achar que te imaginei.
— Você sempre foi dramático — respondi, mas enterrei o rosto no casaco dele.
Rue chegou logo atrás, sorrindo, o cabelo preso de qualquer jeito, a pele ainda marcada pelo sol de semanas longe daqui. Ela me abraçou em seguida, com menos força, mais presença. Ela sempre foi assim, men