Mundo de ficçãoIniciar sessão
Isabella Duarte segurava a pequena bolsa térmica com cuidado enquanto caminhava pelo corredor luxuoso da empresa.
Dentro dela estava o almoço que havia preparado com carinho para o marido. Ricardo sempre dizia que amava sua comida. E nos últimos tempos… ele mal parava em casa para comer. Talvez hoje fosse diferente. Isabella olhou para a porta do escritório do marido e respirou fundo, tentando ignorar a sensação estranha que vinha sentindo há meses. Nos últimos quatro anos, Ricardo havia mudado. Chegava tarde. Inventava reuniões inesperadas. Atendia ligações fora do quarto. Sempre havia uma desculpa. Mesmo assim, Isabella nunca quis acreditar que havia algo errado. Ela amava o marido demais para permitir que aquela suspeita crescesse em seu coração. Ela levantou a mão para bater na porta. Mas então… Uma voz feminina ecoou do outro lado. — Você prometeu que hoje ficaria mais tempo comigo. Isabella congelou. Seu coração começou a bater mais forte. Aquilo… não podia ser o que ela estava pensando. Então ouviu a voz de Ricardo. — Calma, Camila. Você sabe que eu sempre arranjo um jeito de voltar para você. Isabella sentiu o sangue sumir de seu rosto. Camila. A secretária dele. O nome ecoou em sua mente como um trovão. — E quanto à sua esposa? — a mulher perguntou com uma risada baixa. Ricardo soltou um suspiro impaciente. — Isabella? Ela não desconfia de nada. Aquela mulher vive em um mundo de fantasia. O coração de Isabella se despedaçou. Suas mãos começaram a tremer. Mas algo dentro dela precisava confirmar aquilo. Devagar… ela se inclinou e olhou pela pequena fresta da porta. E o que viu fez seu mundo desmoronar. Ricardo estava encostado em sua mesa. E Camila Albuquerque estava sentada em seu colo. Os dois se beijavam sem qualquer vergonha. Como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo. A bolsa térmica escorregou das mãos de Isabella e quase caiu no chão. Ela levou a mão à boca para impedir que um soluço escapasse. — Você sabe que eu te amo — disse Camila, acariciando o rosto de Ricardo. Ele sorriu. — Claro que sei. Afinal… estamos juntos há quatro anos. Quatro anos. A mente de Isabella girou. Quatro anos. Exatamente o tempo em que ele começou a chegar tarde em casa. Exatamente o tempo em que ele começou a se afastar dela. Então Camila pegou a mão dele e colocou sobre sua barriga. — Agora você vai ter que se divorciar logo… — disse ela com um sorriso vitorioso. — Nosso filho vai nascer em alguns meses. O mundo de Isabella parou. Filho? Ela sentiu as pernas falharem. Durante anos ela tentou engravidar. Consultas médicas. Exames. Esperanças destruídas mês após mês. E agora… Agora ele teria um filho. Com outra mulher. Lágrimas silenciosas começaram a escorrer pelo rosto de Isabella. Mas ela não podia ficar ali. Não podia deixar que eles a vissem naquele estado. Com passos trêmulos, ela se afastou da porta e começou a correr pelo corredor. Seu coração parecia estar sendo esmagado dentro do peito. Quando finalmente chegou ao estacionamento, entrou no carro e desabou. O homem que ela amou por sete anos… Nunca foi realmente dela. Mas enquanto as lágrimas caíam sem controle, uma única decisão começou a se formar em sua mente. Ela não ficaria ali esperando ser destruída. Não mais. Isabella não sabia quanto tempo ficou dentro do carro. Os minutos pareciam não existir mais. Seu reflexo no espelho do retrovisor a assustou. Olhos vermelhos. Rosto pálido. Lábios tremendo. Aquela não parecia mais ser ela. Com mãos trêmulas, ela apertou o volante. — Quatro anos… — sussurrou, com a voz quebrada. Quatro anos sendo enganada. Quatro anos sendo feita de idiota. E o pior… ela nunca percebeu. Um gosto amargo subiu pela sua garganta quando uma lembrança veio com força. As consultas médicas. Os exames. As lágrimas silenciosas no banheiro enquanto segurava testes de gravidez negativos. Ricardo sempre estava ao seu lado. Sempre dizia que tudo ficaria bem. Sempre a abraçava quando ela chorava. “Não se preocupe, amor… a gente tenta de novo.” Isabella soltou uma risada fraca e dolorosa. Mentira. Tudo mentira. Ele já tinha outra. Já tinha uma vida paralela. Já estava formando uma família… com outra mulher. E ela? Ela era apenas… conveniente. Seu peito apertou com tanta força que ela levou a mão ao coração. Por um momento, quis voltar. Quis abrir aquela porta. Quis gritar. Quis perguntar por quê. Mas algo dentro dela… a impediu. Não. Ela não daria esse gosto a ele. Não iria implorar por explicações. Não iria se humilhar. Se ele escolheu traí-la… Então ela escolheria ir embora. Uma lágrima silenciosa escorreu por seu rosto. — Acabou… — murmurou. Mas naquele instante, algo ainda mais doloroso atravessou sua mente. Em uma semana, Isabella Duarte iria desaparecer da vida de Ricardo Ferraz para sempre. Mesmo que aquilo partisse seu coração em mil pedaços.






