Estevão Narrando
O portão rangeu quando eu empurrei. A casa da Karen tinha aquela aura bagunçada de gente livre, cheia de planta, som de MPB ao fundo e cheiro de incenso no ar. Sempre que eu vinha, ela me recebia daquele jeito dela, meio debochada, meio intensa. Mas hoje... o clima está diferente.
— Finalmente apareceu, hein — ela falou, encostada na parede da sala, uma taça de vinho na mão, só de shortinho e camiseta larga. — O rei do sumiço.
— Tava resolvendo umas merdäs. Cadê o sorriso? — so