Luísa narrando
A manhã começou estranha. Ana Kelly mal havia dormido, os olhos fundos denunciavam o esgotamento, mas ela fingia força. Sentou no sofá abraçada a uma almofada, com o olhar perdido pra porta do quarto que seria da filha. Eu tentei distraí-la com um chá, tentei conversar, mas ela só balançava a cabeça, como se o corpo estivesse presente, mas a alma vagando em busca da Antonela.
Eu me sentei ao lado, segurei sua mão, e mesmo sem palavras, senti a dor dela pulsando em silêncio. Era c