Os dias seguintes foram uma tortura deliciosa.
Não aquela tortura ruidosa, escancarada, cheia de gestos imprudentes. Era pior. Era silenciosa, contínua, insinuante. Um fio elétrico sempre ligado entre Gael e Elisa, vibrando sob a superfície de tudo o que faziam.
Eles caíram em um ritmo perigoso, quase coreografado.
Durante as reuniões, eram o retrato da eficiência. Profissionais impecáveis, vozes firmes, argumentos afiados. Gael presidia com autoridade serena; Elisa apresentava dados, projeções e estratégias com uma clareza que deixava todos impressionados. Para quem observasse de fora, não havia nada além de respeito e sintonia profissional.
Mas nos corredores… nos corredores havia outra história.
Olhares que se encontravam rápido demais e demoravam demais. Sorrisos quase invisíveis. Toques “acidentais” que se prolongavam por frações de segundo além do aceitável. Um roçar de mãos ao trocar pastas. Um braço que encostava ao passar pela porta estreita da sala de reuniões.
Nenhum dos do