Elisa acordou com o sol já alto, filtrando-se pelas frestas das cortinas entreabertas. A claridade incomodou seus olhos por um instante antes que ela percebesse o horário no relógio da mesa de cabeceira. Quase nove da manhã.
Ela nunca dormia até tão tarde.
O corpo parecia pesado, como se tivesse atravessado uma maratona emocional durante a noite. A mente, porém, estava em disparada, revisitando cada segundo do beijo no banco traseiro do carro. O gosto persistente de vinho tinto misturado ao dele. A firmeza das mãos. A urgência contida. O perigo claro demais para ser ignorado.
Virou-se na cama e enterrou o rosto no travesseiro, soltando um gemido baixo, irritado consigo mesma.
— O que eu fiz? — murmurou para o quarto vazio.
Não era arrependimento puro. Era algo mais confuso. Um misto de excitação, medo e a sensação incômoda de que havia cruzado uma linha invisível, daquelas que não permitem retorno simples.
O banho foi longo. A água quente escorrendo pela pele não apagava as imagens da