Com o transplante bem-sucedido e a infecção sob controle, Marina começou a ganhar forças aos poucos. Os médicos estimavam alta hospitalar em um mês, se os exames continuassem positivos. Gael, impulsionado pelo apoio de Elisa, decidiu não se afastar completamente. O que começara como uma obrigação relutante evoluiu para visitas regulares ao Rio — voos rápidos nos fins de semana, ligações diárias que duravam cada vez mais.
No primeiro fim de semana pós-UTI, Gael chegou ao hospital com um buquê de margaridas simples (Elisa sugerira: “Algo alegre, sem ostentação”) e uma sacola de presentes: livros de design gráfico, um sketchbook novo e chocolates sem açúcar.
Marina, sentada na cama com o rosto menos pálido, sorriu ao vê-lo.
— Você veio de novo? — perguntou ela, voz ainda rouca, mas com um brilho nos olhos. — Não precisa se sentir obrigado, sabe?
Gael sentou na cadeira ao lado, desconfortável mas determinado.
— Não é obrigação. Eu... eu quis vir. Como você está se sentindo hoje?
— Cansada