Com Marina agora morando em São Paulo e integrando-se cada vez mais à vida deles — jantares frequentes, visitas ao apartamento, até fins de semana em que os três assistiam filmes ou saíam para passeios leves —, Elisa começou a sentir um vazio que não esperava.
No começo, foi sutil. Ela adorava Marina: a energia jovem, o senso de humor afiado, os desenhos que enfeitavam a geladeira de Gael. Ver Gael se abrir para a irmã, tornar-se protetor e carinhoso de uma forma nova, a enchia de orgulho. Mas, aos poucos, as comparações surgiram.
Uma noite de sábado, após um jantar animado em que Marina contava histórias engraçadas da infância no Rio e tia Lúcia aparecera por vídeo chamada para “ver os sobrinhos”, Elisa se retirou cedo para o quarto com a desculpa de dor de cabeça.
Gael encontrou-a na varanda, olhando a cidade iluminada, os braços cruzados como se tivesse frio apesar da noite amena.
— Ei — disse ele, abraçando-a por trás. — Você sumiu no final. Tudo bem?
Elisa hesitou, virando-se nos