Pov - ADRIAN / IMPERADOR
A porta rangeu antes mesmo que eu autorizasse a entrada.
E então Cereja entrou, ocupando o quarto como se tivesse plena consciência do efeito que causava. O vestido vermelho grudava no corpo curto demais para qualquer ambiente civilizado, decote profundo o bastante para testar a minha paciência. As costas nuas, o rabo de cavalo alto puxava o rosto para trás, expondo cada detalhe da maquiagem quase impecável.
Mas o que me chamou atenção não foi nada disso.
Foi o jeito que ela olhava para mim.
Sem medo. Sem submissão. Sem a menor porra da reverência que todos os outros funcionários tinham.
Aquilo sempre foi irritante.
Hoje, pela primeira vez, era útil.
Eu estava sentado na poltrona de couro, a mão direita enfaixada lembrança fresca do copo que eu havia esmagado.
Cereja entrou no meu quarto privado, os olhos percorreram o ambiente, absorvendo tudo com uma mistura de curiosidade e respeito. Então soltou um “uau”, baixo e sincero, como se tivesse escapado sem permi