Mundo de ficçãoIniciar sessãoPov Adrian
Vesti o terno italiano preto, prendi as abotoaduras de ouro e estava ajustando o nó da gravata quando o telefone tocou. Marco. — Senhor, os relatórios… — Estou descendo. Espero que não tenha erros, te contratei para isso. Peguei a pasta e saí do quarto, descendo a escadaria de mármore com a atenção dividida entre a reunião que eu tinha cancelado porque a nova babá chegaria hoje e a necessidade urgente de café. Foi no hall que eu as vi. Eudora e… a garota. A nova babá. Não parei. Não desviei o caminho. Passei por elas como se fossem parte da decoração. Mas meus olhos treinados, analíticos, predatórios registraram tudo. Ela não era o padrão. Não era uma das bonecas anêmicas que as agências de luxo costumavam mandar. Ela tinha corpo. Corpo de verdade. Pernas grossas, firmes, marcadas pela saia lápis que subia com cada passo. Quadris largos, redondos, femininos ao ponto de beirar a indecência. Era cheinha para os padrões que a sociedade existia, mas de um jeito… macio. Vivido. Real. Inadequada para minha casa perfeita. E, ainda assim, quando passei por ela, o cheiro me atingiu. Eu esperava perfume barato. Algo doce demais, enjoativo, misturado com álcool. Mas não. Era quente. Limpo. Natural. Pele. Baunilha. Alguma coisa que grudou no ar e em mim. — Senhor? Ainda está na linha? — Marco me chamou. — Senhor? Ainda está na linha? — Marco me chamou. — Não me interessa a desculpa, Marco. Eu quero os números na minha mesa até as 14h ou você está fora. Voltei perto das quinze. De mau humor. Marco estava demitido. O segundo do dia. Minha paciência, por sua vez, também pedia as contas. No escritório, tirei o paletó, afrouxei a gravata e servi um uísque. O silêncio da casa era incômodo, quase hostil. Eu odiava estar ali. Me lembrava do que faltava. Do que eu não tinha conseguido manter. Passei a mão no rosto. A barba arranhou a palma. Três da tarde e eu já estava exausto… e, provavelmente, prestes a me irritar com a nova babá. Eu tinha convicção de que ela não duraria até o fim do dia. A imagem dela no hall voltou sem permissão. Roupa barata, justa demais, apertada demais. A mulher parecia mais uma das garçonetes da área VIP do meu clube do que alguém competente para cuidar das minhas filhas. Respirei fundo. Controle. Sempre controle. Girei a cadeira e olhei para o painel de monitores. Cada centímetro da propriedade estava ali. Vigilância total. A única forma de impedir minha mente de ruir. Câmera 04. Sala de brinquedos. Eu esperava caos. Choro. A garota encostada na parede, mexendo no celular enquanto Ângela e Geovana derrubavam tudo. Mas o que vi… paralisou meu braço no meio do movimento do copo. Clara — o nome dela estava na piscina de bolinhas. Rindo. E minhas filhas rindo com ela. — O que você está fazendo? — murmurei, sem entender. Continuei assistindo. Elas brincaram de médica, encostaram o estetoscópio nela, ouviram o coração da mulher… e, por um instante, um lampejo indecente atravessou minha mente. Algo envolvendo minha câmara do subsolo e aquele corpo macio arqueado sob minhas mãos. Um tempo depois, elas foram para a área externa. A câmera mostrou Clara tirando o blazer e se sentando na espreguiçadeira. Ela puxava a saia, ajeitava a blusa, consciente da inadequação. Consciente do corpo. Um dos seguranças também notou. Desgraçado. — Senhor? — Júlio, o motorista, apareceu no interfone. — O carro para o aeroporto… — Cancele. — Mas a reunião em São Paulo… — Cancele. O avião é meu. Eu uso quando quiser. Desliguei antes que ele insistisse. Porque havia algo nela. Algo cru. Vulnerável. Um contraste violento com tudo o que existia no meu mundo. Na tela, a bola rosa rolou até os pés dela. Clara se levantou, caminhou, abaixou-se… O salto cedeu. Ela caiu direto na piscina. Corri. Meu corpo se moveu antes da minha mente. Quando cheguei à borda, ela já tinha emergido, parecendo um pinto molhado e apavorado. O tecido da camisa branca tornou-se inexistente. A renda vermelha sob o algodão estourado moldava seios fartos, generosos, indecentes. Água escorria pela pele, destacando cada curva. Senti o sangue descer da cabeça para um único lugar. Rápido. Doloroso. Incontrolável. Maldição. Ela é a babá. Ela é uma menina desastrada e pobre. Mas meus olhos não obedeciam. Eles traçavam o caminho da água escorrendo pelo pescoço dela, descendo pelo vale entre os seios, encharcando a renda vermelha. Olhei dos pés, passei pela coxa, imaginei as pernas dela colada, úmida e quente, subi pela protuberância na barriguinha sexy e o enorme volume dos seios. — Sr... Sr. Cavallieri... — Ela gaguejou, tentando se cobrir. Fiquei com vontade de ver mais. Queria sentir de perto. Descobrir se a pele era macia como parecia. Apertei os punhos dentro dos bolsos para não fazer nenhuma estupidez. Eu precisava sair dali. Precisava demiti-la. Precisava mandá-la para o inferno antes que eu fizesse algo que destruiria o pouco de ordem que me restava. Minhas filhas estavam ali, mas meu corpo não quis saber. Só consegui me concentrar nela. — O que você está fazendo? — perguntei, a voz mais rouca do que eu queria. — Alguém traga uma toalha para ela. Agora. Antes que eu perca a paciência. Mentira. Eu queria que ela se cobrisse para que eu parasse de imaginar como seria foder com ela ali mesmo, na frente das minhas filhas, seguranças e de todo mundo. Desajeitada, estranha e um problema. Clara Menezes, pensei. Um problema delicioso. FIM- Pov- Adrian Cavallieri






