CAP. 10- Um Problema Chamado Clara Menezes

POV: ADRIAN CAVALLIERI

Vesti o terno italiano preto, sentindo o corte impecável do tecido contra meus ombros. Prendi as abotoaduras de ouro maciço com a precisão de quem se prepara para uma batalha e estava ajustando o nó da gravata de seda quando o telefone tocou em cima da cômoda de carvalho. Era Marco.

— Senhor, os relatórios trimestrais da Ásia estão com uma divergência de...

— Estou descendo, Marco — cortei, a voz fria. — Espero que não existam erros quando eu abrir essa pasta. Eu te contratei para antecipar problemas, não para me trazer mais um.

Peguei a pasta de couro e saí do quarto. Desci a escadaria de mármore com a atenção dividida entre a reunião bilionária que eu tinha cancelado por causa da nova babá e a necessidade urgente de uma dose cavalar de cafeína. Foi no hall de entrada que eu as vi pela primeira vez. Adelaide e… a garota.

Não parei meu passo. Não desviei o caminho. Passei por elas como se fossem apenas parte da decoração cara da mansão. Mas meus olhos treinados, analíticos e profundamente predatórios registraram cada detalhe em milissegundos.

Ela não era o padrão que eu estava acostumado a ver circulando por ali. Não era uma daquelas bonecas anêmicas e plastificadas que as agências de luxo costumavam me mandar como se fossem gado de elite.

Ela tinha corpo. Um corpo de verdade, que parecia transbordar de vida.

Notei as pernas grossas e firmes, marcadas pela saia lápis que parecia estar prestes a se rasgar com o movimento dos quadris largos e redondos. Era uma silhueta feminina ao ponto de beirar a indecência em um ambiente tão austero quanto a minha casa. Ela era cheinha para os padrões que a sociedade impunha, mas de um jeito macio, vivido, terrivelmente real. Completamente inadequada para a minha ordem perfeita.

E, ainda assim, quando passei por ela, o rastro do seu cheiro me atingiu como um soco. Eu esperava o fedor de perfume barato ou algo doce e enjoativo, mas o que senti foi algo quente. Limpo. Natural. Cheiro de pele, de baunilha e de algo que grudou no ar e em mim instantaneamente.

— Senhor? Ainda está na linha? — Marco me chamou, a voz dele soando como um ruído distante e irritante.

— Não me interessa a desculpa, Marco — respondi, recuperando o foco com esforço. — Eu quero os números na minha mesa até as 14h ou você pode passar no RH e assinar sua saída.

Voltei para casa perto das quinze horas, com o mau humor no ápice. Marco estava demitido; foi o segundo do dia. Minha paciência, por sua vez, também já tinha pedido as contas. No escritório, tirei o paletó, afrouxei a gravata e servi uma dose generosa de uísque puro. O silêncio da mansão era incômodo, quase hostil. Eu odiava estar ali sem as meninas por perto, mas odiava ainda mais me lembrar do que eu não tinha conseguido manter: uma família funcional.

Passei a mão no rosto e senti a barba por fazer arranhar a palma. Três da tarde e eu já estava exausto de gerir pessoas e, provavelmente, prestes a me irritar com a nova babá. Eu tinha a convicção absoluta de que ela não duraria até o pôr do sol. A imagem dela no hall voltou sem permissão à minha mente. Roupa barata, justa demais, apertada demais em todas as curvas certas. Aquela mulher parecia mais uma das garçonetes sensuais da área VIP do meu clube do que alguém competente para cuidar de duas crianças de nove anos.

Respirei fundo. Controle. Sempre controle.

Girei a cadeira de couro e olhei para o painel de monitores. Vigilância total era a única forma de impedir minha mente de ruir sob o peso das responsabilidades. Câmera 04: Sala de brinquedos. Eu esperava ver o caos. Ângela e Geovana derrubando estantes enquanto a garota se escondia num canto mexendo no celular.

Mas o que vi paralisou meu braço no meio do movimento com o copo de uísque.

Clara — o nome dela estava gravado na ficha que Adelaide me entregou — estava no meio da piscina de bolinhas. Ela estava rindo. E, para o meu choque, minhas filhas estavam rindo com ela, de uma forma que eu não via há meses. Continuei assistindo, hipnotizado. Elas brincaram de médica, encostaram um estetoscópio de brinquedo nela e ouviram o coração da mulher.

Por um instante, um lampejo sombrio e indecente atravessou minha mente. Imaginei aquele coração batendo acelerado sob as minhas mãos, dentro da minha câmara secreta no subsolo do clube, com aquele corpo macio arqueado e rendido.

Acompanhei quando elas foram para a área externa. A câmera da piscina mostrou Clara tirando o blazer e se sentando na espreguiçadeira. Ela puxava a saia, ajeitava os botões da blusa, visivelmente consciente da própria inadequação. Consciente do próprio corpo volumoso. Notei que um dos meus seguranças também a observava. Desgraçado. Ele seria remanejado para o portão externo amanhã mesmo.

— Senhor? — Júlio, o motorista, falou pelo interfone. — O carro para o aeroporto está pronto para a reunião em São Paulo...

— Cancele — ordenei, sem tirar os olhos da tela.

— Mas a reunião...

— Cancele. O avião é meu, Júlio. Eu uso quando eu quiser.

Desliguei. Havia algo naquela mulher. Algo cru, vulnerável. Um contraste violento e fascinante com tudo o que existia no meu mundo de aço e vidro. Na tela, vi a bola rosa rolar até os pés dela. Clara se levantou, caminhou com dificuldade nos saltos e se abaixou.

O salto cedeu. O mundo pareceu parar por um segundo antes de ela cair direto na água.

Meu corpo se moveu antes da minha mente. Corri. Quando cheguei à borda do deck, ela já tinha emergido, parecendo um bicho molhado e apavorado. E foi ali que o desastre se transformou em tentação pura.

O tecido da camisa branca, ao ser encharcado, tornou-se inexistente. A renda vermelha do sutiã sob o algodão estourado moldava seios fartos, generosos, absurdamente indecentes. A água escorria pela pele dela, destacando cada curva que a roupa seca tentava esconder. Senti o sangue descer da cabeça direto para o meu baixo ventre. Foi rápido. Doloroso. Completamente incontrolável.

Maldição. Ela é a babá. Ela é apenas uma menina desastrada e sem dinheiro.

Mas meus olhos se recusavam a obedecer à lógica. Eles traçavam o caminho das gotas de água descendo pelo pescoço dela, mergulhando no vale entre os seios, encharcando a renda vermelha que gritava contra sua pele pálida. Meus olhos devoraram tudo: das coxas grossas e úmidas à protuberância sexy na barriga, terminando no volume absurdo dos seios que subiam e desciam com a respiração curta dela.

— Sr... Sr. Cavallieri... — Ela gaguejou, cruzando os braços para tentar se cobrir.

Eu não queria que ela se cobrisse. Eu queria ver mais. Queria descobrir se aquela pele era tão macia e quente quanto parecia. Apertei os punhos dentro dos bolsos da calça para não cometer a estupidez de tocá-la ali mesmo. Eu precisava demiti-la. Precisava mandá-la embora antes que eu destruísse o pouco de ordem que me restava e a tomasse na frente de todos.

Minhas filhas estavam a poucos metros, mas minha mente só conseguia processar a mulher encharcada à minha frente.

— O que você está fazendo? — perguntei, minha voz saindo muito mais rouca e carregada do que eu pretendia. — Alguém traga uma toalha para ela. Agora! Antes que eu perca a paciência de vez.

Era mentira. Eu queria a toalha apenas para que ela se escondesse do meu olhar, porque se eu continuasse olhando, eu a levaria para dentro e mostraria a ela o que um verdadeiro Imperador faz com uma súdita tão... problemática.

Desajeitada, estranha e um problema colossal. Clara Menezes. Um problema absolutamente delicioso que eu acabei de decidir que não deixaria ir embora tão cedo.

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