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Capítulo 5 — Não confunda minha franqueza com gentileza

POV Emília

A secretária fechou a pasta com cuidado demais, como quem sabe quando deve desaparecer.

— Senhor Quinn, se precisar de algo… — ela começou.

— Não vou — ele interrompeu, sem sequer olhar para ela. — Pode sair.

Não houve discussão. Só obediência.

A porta se fechou, e o silêncio caiu como um golpe calculado.

Declan Quinn permaneceu de pé por mais alguns segundos, olhando pela janela, como se eu não estivesse ali. Aquilo não era descaso — era domínio. Ele fazia isso de propósito. Homens como ele sabiam exatamente como deixar alguém desconfortável.

— Sente-se — ele disse, finalmente.

Não era um pedido.

— Prefiro ficar em pé — respondi.

Um canto da boca dele se curvou.

— Gosto de mulheres que fingem resistência — comentou, casual. — Mas geralmente sentam quando percebem que não estão no controle.

Meu estômago revirou.

— Isso não é uma entrevista — eu disse. — Mandar a secretária embora deixou isso claro.

— Ótimo — ele respondeu, virando-se. — Odeio fingimentos.

Ele se aproximou lentamente, como se estivesse acostumado a ser observado. Como se soubesse que mulheres o seguiam com os olhos — e gostassem disso.

— Meu filho falou — ele disse.

Aquilo me atingiu, mas ele não me deu tempo de reagir.

— Não uma frase bonita. Não um milagre cinematográfico. Uma palavra. Baixa. Contida. Mas suficiente.

Ele me analisava enquanto falava. Não havia emoção demais ali. Havia interesse.

— Isso não acontece por acaso — continuou. — E não acontece com qualquer mulher.

— Eu não fiz nada — respondi.

— Fez presença — ele corrigiu. — E eu reconheço isso. Reconheço mulheres que entram num ambiente e alteram o eixo das coisas.

Mulheres.

No plural.

— Então vamos ser diretos — falei. — O que você quer de mim?

Ele sorriu. Não como quem seduz. Como quem negocia.

— Quero você na minha casa. Cuidando dos meus filhos. Exclusivamente.

— Isso não explica o resto das cláusulas.

— Explica sim — ele respondeu, pegando a pasta. — Eu não misturo caos com rotina. E desejo gera caos quando é ignorado.

Meu corpo inteiro ficou alerta.

— Você está acostumado a tratar pessoas como contratos? — perguntei.

— Não — ele disse. — Só mulheres que me desejam.

Aquilo foi um tapa elegante.

— E mulheres que você deseja? — rebati.

Ele deu um passo à frente. Apenas um.

— Essas eu costumo manter por perto — respondeu. — Enquanto duram.

— Você fala de mim como se eu já tivesse aceitado.

— Ainda não — ele concordou. — Mas você vai.

— Você fala isso com muita certeza.

— Experiência — respondeu, simples. — Mulheres sempre dizem não quando estão com medo de dizer sim.

Raiva subiu quente.

— Você acha que eu sou como as garçonetes com quem flertou ontem? — disparei. — Uma distração conveniente?

O olhar dele escureceu. Não ofendido. Divertido.

— Não — ele respondeu. — Se fosse, já teria ido embora comigo. Você é diferente. Por isso exige mais… termos.

Ele abriu a pasta novamente.

— A cláusula de intimidade não é romance — explicou. — É logística. Evita tensão. Evita jogos emocionais. Evita surpresas.

— Evita humanidade — murmurei.

— Evita fraqueza — ele corrigiu.

Eu o encarei, tentando não demonstrar o quanto aquilo me abalava.

— Você não quer uma babá — falei. — Quer controle.

— Quero eficiência — respondeu. — E prazer sem complicações.

Devasso. Cru. Honesto demais.

— E se eu disser não?

Ele se aproximou o suficiente para que eu sentisse o perfume caro, o calor, a certeza.

— Então você volta para seu quarto apertado — disse, baixo. — Espera o aviso oficial. Arruma as malas. E some da vida deles… e da minha.

Ele inclinou a cabeça.

— Mas se disser sim… você fica. Ganha estabilidade. Proteção. E aprende exatamente até onde vai o meu interesse.

— E quando ele acabar? — perguntei.

— Ainda não acabou com nenhuma mulher por tédio — respondeu. — Só quando elas quiseram mais do que eu oferecia.

Aquilo doeu por razões que eu não queria admitir.

— Eu preciso pensar — disse.

— Claro — ele respondeu, tranquilo. — Pense. Mas não muito. Mulheres indecisas perdem oportunidades.

Passei por ele, com o coração acelerado demais para alguém que odiava aquele homem.

— Emília — ele chamou.

Eu parei.

— Não confunda minha franqueza com gentileza — disse. — Eu sei exatamente o que quero. A pergunta é se você aguenta lidar com isso.

Saí da sala com as pernas bambas.

Sabendo, no fundo, que ele não estava acostumado a perder.

E que eu já tinha entrado no jogo no momento em que permaneci ali tempo demais.

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