Vitória só percebeu o peso do que tinha feito quando ficou sozinha.
No silêncio do apartamento, os gestos voltaram à mente com clareza desconfortável:
o sorriso calculado, o tom doce, o toque leve no rosto de Rafael.
Nada daquilo tinha sido espontâneo.
E, ainda assim, tinha saído fácil demais.
Ela caminhou até a varanda e apoiou as mãos no parapeito, observando a cidade abaixo como quem observa a si mesma de fora.
Não sentia culpa.
Sentia controle.
E isso a assustava mais do que deveria