Vitória estava na biblioteca desde cedo.
Livros abertos sobre a mesa, anotações espalhadas, o silêncio confortável de quem se esconde dentro do estudo para não pensar no que pulsa fora dele. Lia com atenção real, sublinhava trechos, fazia pausas curtas para organizar ideias. Era o tipo de manhã que funcionava como abrigo.
Não percebeu o tempo passar.
O interfone tocou e a arrancou daquele pequeno mundo.
— Pois não? — atendeu, ainda com um livro na mão.
— Senhora Vitória, tem visita.
— Que