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CAPÍTULO 04 - O AMOR QUE FERE!:

Preparei todos os convites, mandei um por um…

Escolhi cada nome com cuidado, chamei só os íntimos, os que ainda restaram depois de tantos anos me afastando de quase todos.

Contratei a decoração, a cerimônia seria no jardim da casa da minha família.

Um lugar simples, mas cheio de lembranças. Achei que seria especial.

Escolhi flores brancas, mandei arrumar o altar com tecidos leves, pendurei luzes como se cada uma delas fosse uma esperança acesa.

Alguns dias depois ele foi em minha casa, a funcionária me avisou.

— Algustus…

Desci as escadas com um sorriso largo, o coração acelerado como se estivesse prestes a viver meu grande momento.

— Trouxe os documentos. E o contrato pra você assinar.

— Contrato?

Estranhei, descendo os últimos degraus.

— Não achou que faria esse acordo de boca, achou?

Peguei o papel de suas mãos. Li com atenção.

Cada linha parecia cravar algo dentro de mim.

Afirmava que eu seria a doadora de sangue… da mulher dele.

Durante aquele casamento.

Ele estendeu a caneta.

— Assine.

Olhei a caneta em suas mãos.

A peguei, caminhei até uma mesinha de centro e assinei o contrato.

O entreguei de volta com a mesma firmeza com que disfarçava minha dor.

— O casamento será daqui a 6 dias...

— Eu sei.

— Já organizei tudo. Convidei apenas alguns íntimos… e um site colunista de respeito.

— Estarei aqui, não se preocupe.

Abri um sorriso largo. Ele me olhou. Seu sorriso foi breve, carregado de ironia.

Negou com a cabeça e se afastou.

— Aonde vai?

— Já fiz o que tinha que fazer.

Ele foi embora.

Soltei um suspiro com satisfação.

— Eu vou conquistar você, Algustus…

Disse esperançosa.

(...)

MAITÊ

O dia estava lindo.

Vesti o vestido de noiva e me olhei no espelho, cheia de orgulho.

Ia me casar com o homem que amei por tantos anos.

Não era do jeito que eu queria, mas estava acontecendo.

— Onde ela está!?

Ouvi do lado de fora. Me virei e, de repente, a porta se abriu com tudo.

Pérola entrou com o rosto cheio de raiva e, sem dizer mais nada, me deu um tapa.

A dor me fez virar o rosto.

Fiquei sem reação, chocada.

— Sua falsa do caramba!

— Pérola…

— Como você pôde, Maitê? Como foi capaz de ser tão falsa?

Balancei a cabeça, tentando entender.

— Você sabia que eu amava ele! Dias atrás você tava falando horrores dele… e agora vai casar com ele!?

— Pê… eu…

— Não! Cala a boca!

Ela me cortou, os olhos cheios de mágoa.

— Como eu não percebi antes? O jeito como você olhava pra ele, os sorrisos… Que cretina você foi!

Dois seguranças entraram na sala.

— Não encostem em mim! Eu já tô indo embora…

Antes de sair, me olhou com nojo.

— Tomara que ele te faça sofrer. Tomara que você nunca seja feliz com ele.

Ela saiu, me deixando zonza.

Me olhei no espelho mais uma vez, ajeitei o cabelo e puxei o ar com força.

Aquilo não ia me derrubar.

Não mesmo!

Eu estava conseguindo o que sempre quis, o que desejei por tantos anos.

Uma funcionária se aproximou:

— Ele chegou.

— Tô descendo…

Organizei meu vestido, respirei fundo e saí do quarto.

Desci sozinha até o altar.

Lá estava ele.

Lindo.

De terno azul-marinho, exatamente como imaginei.

Mas ao lado dele… um pouco afastada… ela.

Cora.

Por que ele trouxe ela? Eu não convidei…

Cheguei até ele e fiquei na frente dele.

Os olhos de Algustus me encararam, como se tentassem me decifrar.

O cerimonialista começou a cerimônia, havia poucas pessoas, mas eu precisava que houvesse testemunhas.

Ele fez a pergunta pra mim primeiro, e eu respondi sem pensar:

— Sim!

Quando foi a vez do Algustus, ele ficou em silêncio por alguns segundos.

Parecia que ia desistir.

Olhei em volta, a vergonha me tomando, Mas então respondeu:

— Sim…

O alívio me tomou, ele não podia dar pra tras, não agora depois de ter sugado meu sangue pra dar para aquela mulher.

Assinamos os papéis. Agora éramos oficialmente casados.

Na hora de beijar a noiva, ele sorriu de um jeito estranho.

Colocou as duas mãos no meu rosto e, pela primeira vez, senti seus lábios nos meus.

O fotógrafo aproveitou cada segundo com flashes.

E eu… eu me entreguei àquele beijo, mesmo sabendo que não era como eu sonhei.

Logo depois, ele se afastou.

A festa começou, mas Algustus sumiu.

Fiquei sozinha.

Alguns convidados me olhavam com pena.

Até que Theo, o médico. O mesmo que tirou meu sangue, que compactuava com aquela loucura, apareceu.

— Tá tudo bem?

— Tá sim.

Respondi com um sorriso forçado.

Ele se sentou do meu lado.

— O que aconteceu com o Algustus? Ele saiu com a Cora?

Acenei que sim.

Não sabia onde eles estavam.

A raiva começava a me tomar, ele assinou aquele papel e me abandonou aqui.

— Não entendi… por que vocês se casaram, se ele namora ela?

Suspirei.

— Eu pedi.

Ele me olhou, confuso.

— Como assim?

— Era parte do acordo… ele casava comigo, e eu deixava ele coletar meu sangue pra Cora.

Ele ficou em choque.

Dava pra ver a quantidade de perguntas e confusões que ele tinha só naquele olhar.

— Por que você faria isso? Casar com alguém sem amor?

— Quem disse que não tem?

Ele balançou a cabeça, sem acreditar.

Mas eu sabia.

Tinha muito sentimento, sim. Eu amava aquele homem.

E agora… ele ia ter que me assumir como esposa.

Ia fazer ele se apaixonar por mim. Nem que fosse a última coisa que eu fizesse.

...

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