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CAPÍTULO 05 - O AMOR QUE FERE!:

MAITÊ

Se tinha uma coisa que me predominava era a persistência, a resiliência pra conseguir tudo que eu queria. E eu não ia parar até conseguir.

O médico me olhava com aquela cara de espanto, como se o que eu fiz fosse uma loucura. E pode ser... posso estar cometendo a maior loucura da minha vida, mas eu vou conseguir o que eu quero.

— Isso não pode sair daqui, doutor. Só você sabe disso. Se essa conversa sair daqui, saberei que foi você!

— Eu não direi nada a ninguém, não se preocupe.

Acenei, passando um olhar ao redor.

— Mas, se me permite, eu os conheço há muito tempo. Acompanho a Cora desde a adolescência, então...

Antes mesmo dele completar a frase, ou começar a dar sermões que eu sequer pedi, eu o impedi.

— Se me dá licença, Theodoro.

Ele se calou na hora, depois de sentir minha mão tocar levemente seu braço em repreensão.

— Eu vou procurar meu esposo.

Sem jeito, ele apenas baixou a cabeça em um breve aceno.

— Toda...

Me afastei dele. Não queria ouvir mais opiniões contra. Já bastava a Pérola naquele dia.

Caminhei pela festa dando sorrisos fechados, procurando pelo Algustus.

Adentrei a mansão, vendo os funcionários em sua correria pelo evento. Perguntei se tinham visto ele, e me disseram que ele tinha subido.

Subi em direção ao corredor de quartos. Eu não acreditava que ele estava lá... com ela... no dia do nosso casamento. Dentro da nossa casa.

— Não... você não fez isso!

Apressei os passos, segurando a barra do vestido branco e longo, caminhando até seu quarto.

Cada passo que eu dava em direção ao quarto deles, o ódio dentro de mim aumentava.

O som da minha respiração ecoava pelos corredores, mas não tinha mais volta.

Eu sabia o que estava prestes a acontecer. Sabia que ele estava com ela naquele momento, e não conseguia segurar a raiva que se acumulava no meu peito.

Como ele ousava? Como ele tinha coragem de fazer isso comigo?

Eu não era uma mulher frágil.

Não sou do tipo que se curva.

Não sou do tipo que aceita as coisas passivamente.

E ele estava prestes a descobrir que a mulher que ele pensava controlar era muito mais forte do que imaginava.

Maldito contrato de casamento! Maldito sangue!

Eu estava ali porque ele precisava de mim, mas eu não iria fazer o papel da coitadinha que sofre em silêncio. Não mais.

Abri a porta sem nem pensar.

Eles estavam lá.

Os dois.

Numa cena que me fez vomitar por dentro.

Ele, com a cara de quem se acha o rei do mundo, e ela, com aquele olhar doce, ingênuo, acreditando que estava em primeiro lugar.

Como se eu fosse apenas um pedaço de carne usado para salvar a vida da coitada da namorada dele.

Mas ele estava tão errado... tão errado!

— Eu não admito que faça isso aqui!

Ele se afastou tão pouco dela que me deu nojo.

— No dia do nosso casamento, Algustus! Todos os nossos convidados estão lá embaixo, me olhando como...

usei o tom mais enjoado que tinha

— com pena! Como se... você estivesse me salvando de algo... da vergonha do meu pai! E ainda tenho que ver você, saindo com ela aqui.

Neguei furiosa, eu não aceitava aquilo, não mesmo.

— Eu sou sua esposa agora. E você vai cumprir com todas as obrigações que aceitou, ou eu mesma vou garantir que você pague por isso.

Seu tom foi seco, a voz grave, a mandíbula trancada. Foi como ouvir um rugido; meu corpo tremeu levemente.

— Acha mesmo que pode me ameaçar?

— Você me prometeu!

retruquei, sentindo o estômago revirar de indignação.

Aquela mulher olhou para mim com um sorriso de desdém e limpou o canto da boca, o que me deixou enojada.

— Eu já fiz o que você queria. Eu casei, não casei?

— Esse não foi nosso acordo.

— Que acordo, Maitê? Foi seu sangue por esse casamento! Esse foi o acordo.

Neguei nervosamente. Não... Assim eu não queria.

— Eu queria um casamento de verdade e não seu nome junto ao meu em um papel, Algustus!

disse furiosa.

Cora, interveio, com a voz adocicada e o olhar amedrontado.

— Algustus... o que ela está dizendo?

Ele a olhou, acariciando seu rosto.

— Calma...

— Você não pode fazer isso comigo.

ela sussurrou, como se eu estivesse roubando o que era dela.

— Relaxa, tudo que estou fazendo é por você. Ela não é nada, ouviu? Nada.

Doeu. Ouvir aquilo doeu muito. Ele então voltou seu olhar frio para mim, se aproximando mais. Por um momento, pensei que fosse me empurrar, mas ele apenas bufou de raiva, a mandíbula tensa.

— Você acha que é fácil? Estou fazendo isso por Cora, e só por causa dela! Não sou obrigado a nada com você. Não fiz promessa de fidelidade. Não fiz promessa de amar. Eu apenas aceitei que essa merda precisava acontecer.

Seu tom era cheio de raiva. Abusei do que ele me dava em reciprocidade.

— E você vai cumprir a merda do contrato, Algustus.

retorqui, sem hesitar, o tom impiedoso.

— A gente casou! E vai ter que fazer o papel de marido direito. Não vai ficar saindo pela casa como se fosse um merda qualquer. Vou te lembrar de quem é sua esposa cada vez que tentar cruzar os limites.

A raiva em minha voz era quase palpável. Eu não podia ceder. Não permitiria que ele fizesse o que quisesse enquanto me tratava como nada. Ele deu um passo atrás, as mãos nas laterais, tentando se controlar, mas a raiva era visível nos olhos dele.

— Eu não prometi nada disso. Você é só... um erro que eu tenho que tolerar.

Parecia prestes a explodir, mas ao invés disso, me deu uma ordem ríspida.

— Agora vai para seu quarto e fica lá. Não saia. Eu vou resolver a situação com Cora e acabar com aquela palhaçada no jardim. Não seja estúpida e fique esperando.

Aquela ordem me fez ferver. O ódio dentro de mim cresceu como uma chama prestes a consumir tudo.

— Você não tem o direito de me mandar para lugar nenhum, Algustus. Eu sou sua mulher, e vou fazer questão de lembrar disso a cada segundo. Não pense que pode fugir de mim, de tudo que você se comprometeu. E se acha que vai me mandar embora assim, está muito enganado.

Saí do quarto sem olhar para trás, o sangue fervendo nas veias. Entrei no meu quarto com toda a fúria acumulada, rasgando o véu e o vestido com tanta força que os pedaços caíram no chão. Me olhei no espelho, nua, coberta apenas pela lingerie branca de renda, furiosa.

Meu corpo tremia de raiva, mas era uma raiva que me dava força. Uma raiva que ele logo aprenderia a temer.

...

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