91. Meu lugar seguro
O quarto estava imerso em uma penumbra suave, quebrada apenas pela luz quente dos abajures e pelo reflexo distante da cidade através da janela ampla. A cidade pulsava lá fora, mas ali dentro tudo parecia desacelerar, como se o tempo tivesse aprendido a respeitar o espaço entre nós.
Assim que a porta se fechou atrás de nós, Kairos permaneceu parado, observando-me em silêncio, como se estivesse absorvendo cada detalhe — o vestido ainda perfeitamente alinhado, o brilho contido nos meus olhos, a forma como eu respirava um pouco mais devagar agora que não havia mais testemunhas.
— Você faz isso sem perceber — disse ele, a voz baixa, firme.
— Isso o quê? — perguntei, embora soubesse que não era exatamente uma pergunta.
Ele se aproximou um passo mais perto.
— Me deixa louco por você.
Senti um arrepio percorrer minha espinha. Kairos tinha esse efeito em mim: dizia pouco, mas cada palavra parecia encontrar um ponto sensível, cuidadosamente escolhido.
Deixei a bolsa sobre a poltr