90. Onde o Desejo Aprende a Esperar
O restaurante ocupava o último andar do hotel. Luxuoso sem ser ostensivo, silencioso sem ser frio. As paredes de vidro permitiam uma vista ampla da cidade, e as luzes de Nova York pareciam estrelas artificiais espalhadas sob nossos pés. Kairos escolheu aquela mesa específica como quem planeja algo com cuidado: afastada, discreta, estrategicamente posicionada para que o mundo lá fora se tornasse apenas um cenário distante.
Ele puxou a cadeira para mim com um gesto calmo e firme, e seus olhos me acompanharam até que eu estivesse sentada. Havia algo em seu modo de agir que sempre me desarmava — uma mistura perigosa de controle e cuidado.
— Eu disse que precisava que você relaxasse — falou, acomodando-se à minha frente. — Este lugar costuma ajudar.
Observei-o por alguns segundos antes de responder. O terno escuro lhe caía perfeitamente, a camisa aberta no primeiro botão revelando apenas o suficiente para despertar atenção. O perfume — sempre o mesmo — era amadeirado, quente, quase í