92. Chocolate e nozes
Acordei no meio da madrugada sem saber exatamente o motivo. Não foi um sonho, nem um ruído. Foi apenas aquela sensação súbita de estar desperta demais para continuar de olhos fechados. O quarto estava mergulhado em silêncio, interrompido apenas pela respiração lenta e regular de Kairos ao meu lado.
Virei o rosto com cuidado para observá-lo. Dormia de lado, uma das mãos repousando sobre o travesseiro vazio que eu havia deixado para trás. O semblante, normalmente firme e atento, parecia mais jovem assim, desarmado, quase sereno demais para alguém que carregava tantas responsabilidades nos ombros. Havia algo profundamente íntimo em vê-lo assim — não o homem que dominava salas e decisões, mas aquele que confiava o próprio descanso à minha presença.
Levantei-me devagar, cuidando para não despertá-lo. O ar do quarto estava levemente frio, e instintivamente puxei a camisa dele que havia ficado dobrada sobre a poltrona. Vesti-a sem pressa, sentindo o tecido macio e ainda impregnado do per