Lívia
O dia não espera pela minha crise existencial. Ele irrompe pelas frestas da cortina, um assalto de luz que me força a encarar a realidade. É claro demais, real demais. A casa, essa fortaleza silenciosa, acorda sem me pedir licença. Há sons automáticos, quase imperceptíveis, mas que agora se destacam no silêncio opressor: o ar-condicionado que liga sozinho, um clique distante de algum sistema invisível que mantém tudo em ordem. Tudo funciona com uma precisão mecânica. Menos eu. Sinto-me co