Heloísa
O silêncio entre nós não é vazio. É carregado. Antigo. Cheio de tudo o que nunca foi permitido.
—Saiam, saiam todas. — Digo para as costureiras.
Eu paro a poucos centímetros dele. Não encosto. Não preciso.
— Você me quer — eu digo, baixo, direto. — E odeia isso.
A mandíbula dele trava. A respiração pesa.
— Heloísa…
— Não. Hoje você não vai me chamar de pequena. Não vai me tratar como distração. Não vai se esconder atrás da Marcela ou do trabalho.
Eu avanço mais um passo.
— Olha para mim