Heloísa
O mundo não desacelera. Não há trilha sonora dramática. Só o som distante de uma moto e o bater compassado do meu próprio coração, que eu me recuso a chamar de nervosismo.
Eu saio imediatamente da vitrine.
Não é fuga. É estratégia.
Dou a volta pelo interior do ateliê, ajeito uma pilha de tecidos que já está perfeitamente alinhada, finjo analisar uma costura que não precisa de revisão. Não vou estar parada esperando quando ele entrar.
A porta se abre.
O sino discreto anuncia a presença d