“Há mares tão profundos que até os sussurros se afogam.”
— Provérbio portuário do Arquipélago de Merida
A noite pesava sobre o porto de Cálmaran como um cobertor encharcado. Lá fora, o mar lamuria suas mágoas nas pedras do cais, e dentro da estalagem Fenda do Tainha, o cheiro de sal, suor e peixe velho misturava-se com algo mais íntimo: o aroma inconfundível do caldo de kenga, fervido devagar em panela de barro, como manda a tradição.
Sentado à mesa de canto, Brenek, o marujo de barba entrelaça