A água do rio parou de ferver em torno de Yara. As sombras dentro dela—que há momentos lutavam como serpentes envenenadas—agora repousavam, subjugadas pela centelha sagrada que ainda resistia em seu âmago. Uma calmaria estranha e profunda desceu sobre o mundo, como se a própria floresta suspirasse aliviada.
Mas a paz era... uma âncora frágil.
No silêncio que se seguiu, a pergunta mais antiga de sua alma ressurgiu, mais pungente que nunca: Onde estás, Tupã?
Os primeiros raios do amanhecer filtraram-se pela copa das árvores, tecendo fios de ouro pálido sobre as águas. Foi então que ela os viu: duas figuras imóveis na margem, envoltas em mantos com capuz, pairando como espectros do crepúsculo.
— Quem está aí? — sua voz soou áspera, desconfiada.
A resposta chegou como um eco pré-determinado:
— Duncan, o Viajante do Tempo... e aquele que um dia conheceste como Tupã.
Um dos encapuzados inclinou a cabeça, ao que uma voz estranhamente metálica, mas impregnada de uma centelha familiar, rompeu