Madson Granger
Nelson, CA
A neve caía lá fora com uma fúria quase hipnótica, grossa, insistente, como se o céu tivesse decidido despejar todo o inverno de uma vez só sobre Nelson. Flocos se chocavam contra o vidro da janela do quarto, criando um som baixo e contínuo que me fazia sentir isolada do resto do mundo, como se aquela casa fosse uma ilha cercada por branco por todos os lados. Eu havia visto o alerta na televisão na noite anterior, claro, mas nada — absolutamente nada — me preparou para a intensidade real daquela nevasca. Havia algo de opressor e, ao mesmo tempo, estranhamente íntimo naquele cenário. O tipo de clima que obriga as pessoas a ficarem, a permanecerem, a dividir o mesmo espaço por mais tempo do que planejavam.
Afastei-me da janela com um suspiro lento e fui até o banheiro, sentindo o piso frio sob os pés. Preparei um banho quente, quase escaldante, e entrei na banheira como se estivesse entrando em um refúgio. A água envolveu meu corpo, relaxando músculos que eu ne