Aubrey Marck
Acordei com a sensação estranha de que algo estava errado.
Não era apenas o peso do corpo contra o colchão macio demais, nem o cheiro diferente no ar - um misto de perfume masculino e sabonete caro -, mas aquele alerta silencioso que percorre a espinha quando o cérebro desperta antes do coração. Abri os olhos de supetão, o peito subindo e descendo rápido demais.
Por um segundo, o pânico tomou conta.
Achei que Deivd tinha me sequestrado novamente.
O medo veio como um soco. Minhas mãos se fecharam no lençol, o coração disparou, e eu me sentei na cama de forma abrupta, olhando ao redor com desespero. As paredes não eram do meu quarto. Nem da casa dos meus pais. Eram claras, elegantes, frias. Havia cortinas pesadas, um abajur aceso, uma poltrona próxima à janela.
Onde eu estava?
Minha respiração ficou curta. A garganta seca. O estômago embrulhou.
- Calma... calma... - murmurei para mim mesma, tentando organizar os pensamentos.
Foi então que ouvi o som.
Uma porta se abrindo.
V