Saulo
Não acredito que Aubrey Marck consiga ser tão mimada e cheia de si daquele jeito.
Essa foi a primeira coisa que passou pela minha cabeça quando ela virou as costas para mim, furiosa, como se eu tivesse cometido um crime imperdoável apenas por dizer o óbvio. Pessoas não gostam da verdade. Nunca gostaram. E Aubrey parecia ser especialista em fugir dela.
Fui atrás dela com a intenção clara de falar umas verdades. Não para humilhar, não para machucar — apesar de ela ter interpretado exatamente assim —, mas porque era impossível fingir que não via o que estava acontecendo. Eu reconhecia aquele comportamento. Já tinha visto antes. Já tinha vivido.
Mas não deu tempo.
Ela parou de repente.
O corpo dela simplesmente desligou, como se alguém tivesse puxado o fio da tomada. Vi quando suas pernas fraquejaram, quando o rosto perdeu a cor, quando os olhos se encheram de pânico antes de tudo apagar.
— Aubrey! — chamei, correndo na direção dela.
Consegui segurá-la a tempo, antes que o corpo del