Naomi Marck
Acordei com o corpo pesado e a garganta seca. Levei alguns segundos para entender onde estava. O quarto estava em penumbra, a luz fraca do abajur projetando sombras longas nas paredes. Olhei para o lado instintivamente, esperando ver Aubrey dormindo, encolhida como sempre fazia quando estava emocionalmente esgotada.
Mas a cama estava vazia.
Meu coração deu um salto estranho, uma mistura de preocupação e inquietação. Sentei devagar, sentindo um leve enjoo — consequência das emoções, da gravidez, de tudo. Passei a mão pela barriga ainda quase imperceptível e respirei fundo antes de me levantar.
— Aubrey… — murmurei para o vazio.
Vesti um casaco fino e saí do quarto, descendo as escadas em silêncio. A casa estava estranhamente quieta, aquele tipo de silêncio que não traz paz, só expectativa. Cada degrau rangia baixo sob meus pés, como se a própria casa quisesse me alertar para algo.
Foi então que ouvi vozes.
A princípio, palavras soltas. Depois, frases inteiras. Parei no meio