Mundo ficciónIniciar sesión~~ Leon ~~
Não pude acreditar quando vi quem era a candidata à vaga de babá: a ruiva que, desde a noite anterior, não saía da minha mente. A única mulher que, após a partida da minha esposa, fora capaz de me fazer ceder aos meus instintos.
— Em primeiro lugar, nós não nos conhecemos, nunca nos vimos. Não aja dessa forma — falei em tom de aviso, temendo que alguém desconfiasse de algo.
A moça apenas concordou, balançando a cabeça positivamente.
— Agora, sente-se.
Ela obedeceu, ainda de cabeça baixa.
— Então você é a moça que deixou o currículo com a Vera?
— Sim, mas isso foi de manhã, antes de… bom… Eu juro que não fazia ideia de que era o senhor.
— Isso não importa. Finja que nada aconteceu, já disse.
— O senhor é casado?
— Claro que não… E quem faz as perguntas aqui sou eu.
Isadora agia como um rato acuado. Respirei profundamente e segui com a entrevista para que ela visse que eu não a estava rejeitando. Pelo contrário, eu estava bastante interessado, pois um pensamento insano rondava minha cabeça.
— Você está no oitavo semestre de medicina? Vi no seu currículo…
Ela balançou a cabeça.
— Estava, mas tranquei após a morte da minha mãe, pois precisava cuidar das minhas irmãs.
— Vocês não tinham casa? Por que foram parar num quarto vazio?
— A casa era do meu padrasto…
— Então as meninas têm um pai? Ele as abandonou? Não estou entendendo.
— Sim. Eu sou fruto do primeiro casamento da minha mãe, mas desde a minha adolescência sofro com os assédios dele. Meu padrasto é alcoólatra, vivia bêbado, agredia a minha mãe e, depois que ela morreu, passou a me fazer de empregada, até o dia em que tentou me estuprar.
— O quê? — Eu não sabia o motivo, mal conhecia aquela mulher, mas apenas o fato de imaginar tal situação fez meu sangue ferver.
— Minha irmã do meio me salvou, foi ela quem deu a ideia de fugir. Minhas irmãs também não gostam dele; elas têm medo, não querem voltar.
— Você não foi à polícia? Não denunciou?
— Se eu fizer isso, eu é que vou presa… Eu fugi com duas menores de idade. Se nos encontrarem, vão tirá-las de mim, vão devolvê-las para ele!
— Mas você pretende viver escondida pelo resto da vida? A melhor forma de resolver isso é pelos meios legais.
Ela balançou a cabeça negativamente.
— Não tenho coragem, não vou fazer isso — disse Isadora, levantando-se. — O senhor não vai contratar uma prostituta, não é? Posso me retirar?
Levei alguns segundos para responder, ainda pensando se realmente deveria fazer o que minha cabeça sugeria.
— Você ainda tem feito isso? Pensa em voltar a fazer? — perguntei, já imaginando que ela poderia ser mais do que uma babá. Afinal, eu não pretendia mais me relacionar afetivamente com ninguém, e não seria uma má ideia ter uma mulher ao meu lado apenas para me satisfazer.
— Se eu pudesse, jamais teria feito.
Sua resposta foi como um balde de água fria, mas ainda assim insisti.
— Foi tão ruim assim? Aqueles gemidos foram falsos? — sussurrei, sentindo um arrepio percorrer meu corpo apenas por lembrar.
Isadora corou, desviando o olhar, e não respondeu. Eu sabia que ela não era, de fato, uma prostituta, e sabia que estava sendo inconveniente. Mas ter sido um homem leal e romântico um dia só havia resultado em decepção; por isso, pouco me importava parecer gentil.
— Eu a contrato, mas com algumas condições…
Nesse momento, a ruiva me fuzilou com o olhar.
— Que condições? Olha, se estiver me propondo ser seu brinquedo particular, estou fora! Já disse que agi por impulso, num momento de desespero!
Soltei uma risadinha, admirado com a postura daquela mulher. Porém, eu não confiava em ninguém e precisava saber se ela estava sendo sincera antes de colocá-la perto da minha filha.
— Você terá que me provar que tudo o que contou é verdade.
— Só isso?
— O resto você saberá depois… — falei, escrevendo um valor no papel. — Este é o salário que estou disposto a pagar.
Isadora demonstrou surpresa ao ver o valor de R$ 5.000,00.
— Fora os benefícios, horas extras e adicional noturno, se necessário. Se eu gostar dos seus serviços e você provar que é capaz de atender às minhas necessidades e às da minha filha, eu até dobro esse valor… Só dependerá de você.
Eu sabia que a proposta era tentadora e aguardei ansioso, ciente de que a tinha nas mãos.
— Certo. Quando posso começar?
— Amanhã mesmo. Mas antes, quero conhecer suas irmãs e o local onde você mora.
~~Isadora~~
Quando cheguei em casa, ainda sentindo o corpo trêmulo após me reencontrar com aquele homem e saber que ele seria meu chefe, conversei com as minhas irmãs:
— A mana conseguiu um emprego, mas meu chefe quer conhecer vocês antes de me contratar oficialmente.
— Para quê? — Amanda me olhou com espanto.
— Porque contei a nossa história e ele quer saber se eu estava falando a verdade.
Elas se entreolharam, surpresas.
— Por isso, peço que se comportem quando ele chegar.
Mais tarde, por volta das 18h, Leon parou com seu carro de luxo em frente ao prédio onde eu morava. Assim que desceu, chamou a atenção de todos na rua.
— Esse é o seu novo chefe? — Amanda cochichou com os olhos arregalados. — Caramba, ele é bonitão.
— Shhh… Pare com isso.
Eu a repreendi, incomodada por suspeitar da índole daquele homem que estava acostumado a conseguir tudo com dinheiro — incluindo as mulheres. E eu havia sido uma delas.
Leon se aproximou, observando-nos com curiosidade.
— Boa noite — falou em seu tom frio de sempre.
— Boa noite, senhor… Estas são Amanda e Beatriz — apontei para cada uma.
— Prazer, senhor — Amanda estendeu a mão educadamente e Bia fez o mesmo, um pouco mais acanhada.
— O prazer é meu. Não vai me convidar para subir, Isadora?
— Não tenho muito o que mostrar, senhor — falei sem jeito, recebendo um olhar de insatisfação. — Mas pode vir…
Em silêncio, ele nos acompanhou. Notei sua expressão mudar drasticamente ao entrar no quarto.
— Era o que dava para pagar, senhor. Como eu disse, não temos nada.
Leon me olhou, visivelmente horrorizado.
— É muito ruim dormir nesse chão duro… Moço, você não pode ir com a gente buscar as nossas coisas? — Beatriz soltou de repente.
— Quantos anos você tem, mocinha? — Ele se dirigiu a ela e, pela primeira vez, vi o tom de sua voz mudar, ficando suave.
— Seis anos.
— E está dodói? Por que essa voz rouca?
— Estou… — Bia disse, levando as mãos à garganta. — Minha garganta ainda dói.
Notei que Leon estava apenas confirmando minha história. Ele acariciou a cabeça dela antes de se voltar para mim.
— Eu gostaria que você dormisse na minha casa hoje, para conhecer minha filha e a nossa rotina.
— Mas e as meninas? Elas…
— Elas podem ir com você — ele me cortou, sorrindo para Beatriz. — Minha filha vai gostar de ter companhia.
Vi certa esperança no olhar dele. Somente no carro, já a caminho de sua casa, pude entender o porquê.







