Mundo ficciónIniciar sesión~~ Leon ~~
Após passar algum tempo com a moça, choquei-me ao descobrir que não se tratava de uma garota de programa, mas sim de uma mulher passando por necessidades, desesperada para comprar os medicamentos da irmã. Para piorar a situação e aumentar minha sensação de culpa, ela era virgem.
Uma vez em casa, pelo resto da noite, fui incapaz de tirar o que tinha acontecido da cabeça. Pior: a todo momento, as imagens daquela linda mulher nua, proporcionando-me prazer, voltavam à minha mente.
Na manhã seguinte, segui cedo para o trabalho como de costume, ainda tendo flashes de lembrança da noite anterior. Uma vez lá, chamei minha funcionária do RH, entregando o currículo que havia recebido de Vera.
— Por favor, entre em contato com essa moça e marque uma entrevista, se possível ainda hoje.
— Sim, senhor…
~~ Isadora~~
Quando me levantei na manhã seguinte, estava um pouco mais tranquila, pois pude ir até a padaria e garantir as refeições do dia para minhas irmãs. Aproveitei também para colocar crédito no meu celular, para conseguir conversar com minha amiga e dar notícias.
Porém, logo que retornei para casa e abri as mensagens, choquei-me ao ver inúmeras que vinham do meu padrasto.
[Anilton: Onde você está, sua vadia? O que fez com as minhas filhas! Não pense que vai ficar por isso mesmo, eu vou te caçar! Vou te encontrar, vagabunda!]
[Anilton: Se não voltar com as minhas filhas, irei chamar a polícia e te acusar de sequestro!]
[Anilton: Não estou brincando com você, já denunciei para a polícia! Ou volta, ou seu fim será a cadeia!]
Senti todo meu corpo estremecer. Eu sabia que não tinha o direito de fugir com as minhas irmãs, pois ele era o pai e elas eram menores de idade.
— Estamos longe, ele não tem como nos encontrar aqui, Isa — Amanda tentou me acalmar.
— Ele não, mas a polícia tem. Além do mais, não podemos viver escondidas pelo resto da vida. Vocês precisam voltar para a escola, ter uma vida normal, e eu preciso finalizar minha faculdade.
— Se nos encontrarem, podemos falar a verdade. No fim, ele é quem será preso.
Olhei para ela em silêncio por um momento, então segurei sua mão.
— Ele já fez algo de errado com você?
Minha irmã ergueu a cabeça, deixando escapar algumas lágrimas.
— Não, mas eu sei como ele agia com você. Vi como sempre foi ruim para nossa mãe e não quero conviver com aquele homem!
Assenti, abraçando-a.
— Primeiro, eu preciso conseguir um emprego para provar que consigo manter vocês duas. Então, faremos uma denúncia para que me deixem cuidar de vocês.
Enquanto conversávamos, meu celular tocou.
— Olá, bom dia. Falo com a senhorita Isadora Reis?
— Bom dia, sou eu — respondi, temerosa.
— Falo referente a um currículo que recebemos para uma vaga de babá.
— Sim! — falei, já empolgada. — Sou eu mesma!
— A senhorita teria disponibilidade para uma entrevista hoje, às 14h? Sei que é em cima da hora, mas o senhor Leon tem certa urgência.
— Sim, claro.
— Então, anote o endereço.
Para minha surpresa, o endereço informado era de uma empresa de Investigação Corporativa, Inteligência de Dados e Compliance, chamada D’Ávila Forense.
— Uma empresa? A vaga não é para trabalhar em uma residência?
— Sim, na casa do dono da empresa. Mas ele está aqui e solicitou a entrevista com urgência, por isso será na sede. Tudo bem?
— Claro, sem problemas. Até mais tarde.
Assim que nos despedimos, olhei para Amanda, esperançosa.
— Fui chamada para uma entrevista!
Nós saltamos festejando. Mais tarde, preparei-me para ir, vestindo uma roupa simples, uma vez que não tinha muitas opções — não havia levado quase nada, incluindo maquiagens e sapatos.
— Será que vão me julgar logo de cara pela aparência? Não tenho muito o que fazer, trouxemos poucas roupas…
— Talvez, mas se você explicar, sei que vão entender.
Contorci os lábios, realmente desejando que ela estivesse certa.
— Escuta, por que não damos um jeito de ir em casa quando o meu pai estiver trabalhando, para buscar o resto das nossas coisas? — Amanda sugeriu.
— Não sei, pode ser arriscado.
— Por que precisamos ficar nos escondendo aqui? — Beatriz perguntou.
Amanda e eu nos entreolhamos.
— O papai vem tendo algumas atitudes ruins… Bom… Você lembra como ele ficava quando estava bêbado? O que fazia com a mamãe?
Beatriz assentiu.
— Então, estamos nos protegendo para que não faça o mesmo com a gente.
Ela não perguntou mais nada, provavelmente concordando. Segui ansiosa para o endereço informado e, quando adentrei a empresa, choquei-me com o luxo do local. Toda a decoração era moderna e requintada; os funcionários se vestiam formalmente. De pronto, fiquei constrangida. Inevitavelmente, as pessoas começaram a me encarar, certamente imaginando que eu era uma pedinte.
— Com licença — aproximei-me timidamente do balcão de recepção. — Eu tenho uma entrevista marcada com o senhor Leon.
A moça olhou-me de cima a baixo.
— Só um momento — ela pegou o telefone, anunciando minha chegada. Em seguida, voltou a falar comigo: — Pode ir. É a última sala do corredor, à sua direita.
Agradeci, dirigindo-me até a sala ainda timidamente, evitando os olhares que continuei recebendo. Diante da porta, respirei profundamente e bati.
— Entre…
Ouvi a voz grave que me parecia familiar, mas só me dei conta de quem era o dono dela quando entrei e me deparei com ele.
— Você?
O homem com quem havia passado a noite, para quem eu havia me vendido e com quem perdera a virgindade, estava ali à minha frente. E seria o responsável por me entrevistar.
— Eu… eu… — gaguejei, dando um passo para trás. — Eu não sabia que o senhor… Bom… Me desculpe.
Era óbvio que, depois de tudo o que tinha acontecido, ele jamais me contrataria, principalmente para ser babá de sua filha. Virei as costas rapidamente, retirando-me da sala. Ele, no entanto, levantou-se da mesa depressa, alcançando-me e puxando-me pelo braço.
— Espere…
Parei de imediato, com os olhos repletos de lágrimas.
— Desculpe, senhor, eu não sabia que…
— Shhh! — Ele me calou, olhando ao redor, provavelmente para se certificar de que ninguém tinha visto a cena. — Volte para o escritório.
Seu tom autoritário fez-me obedecer imediatamente. Assim que entramos, ele trancou a porta.







