Eu era uma jovem sonhadora. Havia conquistado, após muita renúncia e dedicação, uma vaga para estudar medicina em uma universidade pública. Tinha certeza de que, quando me formasse, mudaria a vida da minha família e libertaria a minha mãe das garras de seu marido, mas não tive tempo.Meu padrasto, Anilton, era um homem agressivo e possessivo, vivia alcoolizado e tinha o hábito de agredi-la. Eu era fruto do primeiro casamento dela, sendo a mais velha de duas irmãs: Amanda, de 14 anos, e Beatriz, de 6 anos.Mamãe estava doente, havia descoberto, há um tempo, uma doença degenerativa que, aos poucos, a impossibilitou de trabalhar e de ter uma vida normal. Sendo assim, apesar de não suportar mais seu casamento falido, e temendo não ter condições de nos manter, ela aceitou viver nessa prisão até que seu corpo, já debilitado, descansou.Eu tinha 24 anos quando ela partiu e estava no oitavo semestre do curso de medicina. Minha mãe não me deixava trabalhar para que eu pudesse focar inteirament
Ler mais