Lorena
Eu precisava tocar perfeitamente.
Nada podia soar fora do lugar, nenhuma nota podia escapar, nenhum movimento podia ser impreciso. Eu sabia que era boa, sempre soube. As pessoas diziam, os professores diziam, Felipe dizia. Mas, dentro de mim, nunca parecia suficiente.
Na minha cabeça, sempre havia algo a mais para corrigir, ajustar, melhorar. Como se errar não fosse uma opção. Como se falhar significasse algo muito maior do que apenas uma nota fora do tempo.
Talvez fosse porque, para o m