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Seus passos trôpegos a levaram pelo corredor iluminado com luz suave, estava tudo meio embaçado, em algum momento na cozinha, perdeu os óculos grossos. Lua levantou o rosto haviam duas portas?
Quando foi que colocaram outra porta ali?
A dele era da direita... se lembrava bem...
Tinha que ser.
- Você vai ver uma coisa, Lucas.... Biten..court...– Ela resmungou arrastado. – Achei que você era diferente...- um soluço entrecortado. – Mas...você também me acha uma feia repulsiva...
Ela cambaleou, caiu, e se levantou se segurando na parede. A porta de madeira lustrosa e escura estava bem ali na frente, só tinha que entrar e dizer umas verdades para aquele idiota mulherengo cafajeste e sem vergonha.
A mão molhada girou a maçaneta, e ela praticamente caiu no carpete do quarto frio, muito mais fria que o restante da casa.
- Que porcaria...está gelado demais aqui... – Praguejou, engatinhando no chão, tentando encontrá-lo através dos sapatos caros lustrosos. – Onde você tá? Eu preciso ... ver você...me dizer isso...– ela disse, mal enxergando sob a meia luz do ambiente. – na...minha cara...
O perfume que a atingiu não era o habitual de Lucas.
Era mais intenso, extremamente masculino, perigoso. Madeira, couro, com uma nota picante que fez seu corpo inteiro arrepiar de um jeito estranho.
Mas Lua estava bêbada demais para entender aquilo.
Por que estava tão escuro?
Lucas tinha virado um vampiro por acaso?!
Um vulto se moveu perto da janela.
- Deve estar se escondendo de mim depois da.... da... resposta covarde que me ...deu...hic... hic…
Passos lentos, silenciosos, se aproximaram. Ela riu debilmente, batendo o punho no chão.
- Você acha que eu não sei que sou feia, que não sente atração por ...mim .... Não te pedi.... – As lágrimas transbordaram como um rio, pingando em seu uniforme de faxineira da companhia Atikos. Ela nem mesmo o tirou depois de chegar do trabalho. – ...não te pedi...para casar comigo de verdade... Só pedi que fingisse...
Os sapatos caros surgiram diante dela, Lua segurou nas pernas de uma poltrona de couro, tentando se levantar, mas seu corpo estava mais pesado que o normal, e aquela dor atravessava em seu peito de um jeito devastador.
As lágrimas transbordaram como um rio, pingando em seu uniforme largo e folgado de faxineira da companhia Atikos. Ela nem mesmo o tirou depois de chegar do trabalho.
Que ironia...
Até para implorar por ajuda, ela parecia apenas o que sempre foi, a funcionária apagada, a amiga sem graça, a mulher que ninguém escolheria primeiro.
Os sapatos masculinos surgiram diante dela.
Ela tentou se levantar, segurando na perna de uma poltrona, mas o corpo pesava como chumbo.
- Você deve ...ter..... rido de mim à beça quando....te pedi.... – Ela viu a figura masculina se abaixar diante dela, escura demais para que fosse capaz de reconhecer os traços atraentes de Lucas. – Sou tão .... repugnante.... que...você nem mesmo .... foi capaz de.... hic,hic... de dizer NÃO na minha ....cara.
A figura se inclinou, sua sobra cobrindo Lua em escuridão completa. O perfume diferente, intenso demais a atingiu, a surpreendendo.
Ele ia sair com alguma garota nova, certamente. Por isso estava com esse cheiro delirante.
Ela riu alto de sua própria estupidez.
Estava tudo confuso. Embaçado, distorcido.
Suas mãos buscaram o rosto bonito, mas encontrou um peito largo, frio e duro, ela pegou a gravata e a agarrou de uma vez para se equilibrar, ou quase.
- Eu devo estar atrapalhando.... o todo poderoso.... Deve ter alguma garota linda esperando por você, não é? – ela disse, amargamente. – Por que não diz .... hic, hic...nada?! – ela grita revoltada.
Mãos enormes, rígidas, a segurou pelos ombros firmemente, a levantando do chão com uma facilidade absurda. Lua aperta os olhos, tentando ver a expressão de Lucas Bitencourt. Mas ele está muito alto, está muito escuro, e para piorar, ela não consegue ver um palmo à sua frente.
A presença dele parecia ocupar todo o quarto, todo o ar, todo o espaço à sua volta.
Aquele cheiro.... aquela presença.... ela não consegue mais reprimir seus impulsos, e agarra a camisa dele, o abraçando.
Seus soluços entrecortados abafados pelo peito duro feito de concreto.
- O que faz aqui? – perguntou uma voz grave, baixa, gélida.
As mesmas mãos firmes seguraram o rosto dela. Lua se sentiu observada, e se esquivou do toque, chorando copiosamente.
Que cruel da parte dele.
Ele, melhor que ninguém, sabia o que esse tipo de olhar avaliativo causava nela, uma mulher ferida pelo julgamento constante de sua aparência.
- Pare...de fingir... – ela se inclinou, o abraçando pela cintura. – Se... ao menos....eu não fosse .... assim... – Subiu suas mãos pelas costas moldadas em músculos de aço, que esquentavam sob suas palmas pequenas. - ...talvez...você não... me rejeitasse desse jeito...E eu que pensei que significava alguma coisa para você...pelo menos...
Lua se agarrou a ele, completamente entregue as suas emoções e a tristeza.
- Eu preciso de você... – suplicou, tateando o corpo masculino até encontrar uma mandíbula rígida, e angulosa feito mármore. Seu corpo implorava para ser tocado por essas mãos, por ser pressionado pelos músculos fortes. – Não me negue isso... pelo menos uma vez... não me faça me sentir...pior ainda...
Ela se esticou nas pontas dos pés e, cegamente, encostou os lábios nos dele.
Por um segundo, tudo ficou estático...
Mas então…
Os lábios daquele homem se moveram contra os dela.







