Heitor nunca gostou de manhãs. Havia nelas uma espécie de crueldade — a luz invadia tudo, sem pedir licença, revelando o que ele preferia manter escondido: a poeira nas frestas, o vazio sobre a mesa do café, o eco das vozes que já não estavam ali.
A casa era grande demais para ele e Heloisa. E ainda assim, ele não conseguia imaginar-se em outro lugar. O barulho distante dos carros, o portão eletrônico abrindo às seis e meia, o som do liquidificador vindo da cozinha — tudo isso formava uma roti