Ísis Soares Eu não lembro exatamente em que momento comecei a chorar. Talvez tenha sido quando eu ouvi a palavra acidente. Ou quando alguém disse que o Guilherme não resistiu. Eu olhei para todos esperando que me dissessem que havia ocorrido um engano, mas isso não aconteceu. O mundo ao meu redor continuou seguindo, as vozes dos meus pais, seus passos apressados, portas abrindo e fechando, enquanto tudo dentro de mim desmoronava em câmera lenta. Chorei praticamente o dia todo e à noite não consegui dormir. Quando o dia amanheceu, fiz minha higiene matinal de forma automática. Sentei na cama sem nem perceber quando tinha chegado ali. Minhas mãos estavam frias, trêmulas, e eu as encarei por alguns segundos. — Não… — sussurrei em lágrimas. Chorei novamente me lembrando do Guilherme. Do sorriso contido, do olhar caloroso. A forma como segurou minha mão pela última vez, quando me acompanhou até o carro na noite do jantar. Levei a mão à boca, tentando conter o soluço, mas foi inútil.
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