Lilly
A casa dos meus pais parecia menor naquela tarde, como se as paredes tivessem se aproximado umas das outras, comprimindo o ar e a minha respiração junto. O relógio da sala marcava um tempo que não passava, o tic-tac insistente me deixando ainda mais nervosa. Meu pai estava sentado em sua poltrona de sempre, com as mãos apoiadas nos braços, rígido demais. Minha mãe caminhava de um lado para o outro, inquieta, até parar à minha frente e cruzar os braços, tentando esconder a apreensão que transbordava no olhar.
— Lilly, chega de suspense — ela disse, com a voz controlada demais para ser natural. — O que está acontecendo?
Senti a garganta fechar. Inspirei fundo, tentando manter as lágrimas onde estavam, mas elas ardiam, ameaçando cair a qualquer segundo. Caminhei até o sofá e me sentei entre os dois, sentindo o peso daquele momento cair sobre mim.
— Eu preciso que vocês me apoiem — comecei, com a voz trêmula. — Do mesmo jeito que apoiaram a Jodi quando ela se divorciou.