James
Fui para um hotel como quem foge de um incêndio, sem olhar para trás, sem pensar muito, apenas dirigindo até não reconhecer mais as ruas. O prédio era alto, de vidro espelhado, desses que parecem não pertencer a ninguém. Entrei no saguão sentindo o cheiro neutro de limpeza e ar-condicionado, um contraste absurdo com o caos que estava dentro de mim. Fiz o check-in quase no automático, respondi perguntas básicas, peguei o cartão do quarto e subi. Quando a porta se fechou atrás de mim, o silêncio caiu pesado, quase ensurdecedor. Larguei a mala no chão, abri alguns botões da camisa e me sentei na beira da cama, encarando a parede como se ela pudesse me dizer o que fazer da minha vida a partir dali.
Peguei o celular. O nome de Alice estava ali, fácil de achar. Respirei fundo antes de ligar.
— Alice, sou eu, James — disse assim que ela atendeu.
— James, tudo bem? — a voz dela soou cordial, profissional.
— Vou desistir do contrato — fui direto. — Não vou seguir com a sala c