James
Desde que voltei para Londres, me enterrei no trabalho como quem cava a própria trincheira. Chego cedo, saio tarde, e quando percebo já escureceu do lado de fora das janelas de vidro do escritório. A cidade continua viva lá embaixo, apressada, indiferente, enquanto eu empilho relatórios, reuniões e decisões como se isso fosse capaz de silenciar qualquer pensamento que leve o nome da Lilly. O problema é que não leva. Ela aparece nos intervalos, nos espaços entre uma linha e outra, no reflexo da tela desligada do computador, no cansaço que se acumula atrás dos olhos.
Henry entra na minha sala sem bater, como sempre fez. Ele carrega alguns relatórios debaixo do braço e os coloca sobre a mesa, alinhando as folhas com cuidado excessivo. Depois se joga na cadeira à minha frente e solta um suspiro pesado, daqueles que vêm do fundo do peito.
— O que foi? — pergunto, sem levantar o olhar dos papéis.
— Ando cansado ultimamente — ele responde, passando a mão pelo rosto.
— Tira