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Marino : Ela é minha

— Posso saber qual o motivo de tanta comemoração?

A voz sai seca. Alta o suficiente pra calar o estúdio inteiro.

Se esse amiguinho dela está junto, coisa boa não é.

Todos olham. Melissa fica pálida. O Antony sorri. Daquele jeito que me dá vontade de apagar.

— Marino? O que você está fazendo aqui? — ela pergunta. A voz falhando no final.

Faço sinal com a cabeça. Meus dois homens ficam do lado de fora.

Última coisa que preciso é de escândalo. Escândalo mancha ficha. E a minha tem que ser limpa.

— Achou que eu não ia descobrir... — dou um passo. — O que você estava fazendo pelas minhas costas, Melissa?

Ela sabe. Sabe muito bem que eu odeio mentira.

Podia ter me contado. Podia ter pedido permissão.

— Diretor — Melissa se vira, apressada. — O senhor nos dá dois minutos? Eu só vou conversar com meu namorado e já volto.

Pego no braço dela. De leve, mas firme. O suficiente pra ela entender, que sou eu que mando.

Saímos do set.

No corredor o ar é mais frio.

— Você não tem o direito de atrapalhar minha vida — ela começa. — Por acaso eu atrapalho seus contratos, Marino?

Solto uma risada curta.

Melhor nem tentar. Os meus negócios ninguém põe a mão. Só eu.

— Você não é louca — digo, olhando no olho dela. — Sabe exatamente qual é o seu lugar. Agora me explica por que fez tudo às escondidas. E com esse seu amiguinho.

Antony.

Detesto aquele cara. Vive enchendo a cabeça dela. E sempre contra mim.

Nunca nos engolimos.

— Justamente pra evitar uma cena dessas — ela cruza os braços. — Isso é ridículo.

Ridículo é ter uma mulher que esquece o seu lugar.

Ridículo é ter que ficar controlando cada passo pra ela não fazer besteira.

— Que cena? — me aproximo mais um pouco. — Eu só tô cuidando de você. Evitando que você se perca.

Vejo algo diferente no rosto dela. Queixo erguido. Olho firme.

Não gosto disso.

— Volta pra sua empresa — ela diz. — A gente conversa em casa, Marino.

O quê? Alguém tá querendo mostrar as garras.

— Me dar ordens agora? — arqueio uma sobrancelha. — Desde quando você tem esse direito, querida?

Era só o que faltava. Mulher mandando em mim.

— A partir do momento que você invade meu ambiente de trabalho — ela responde na lata — eu tenho todo direito de pedir pra você se retirar. Querido.

Deixo ela achar que ganhou.

Não saio porque ela mandou. Saio porque tenho coisa mais importante pra resolver.

— Tudo bem — recuo um passo. — Em casa a gente conversa. Com calma. E acaba com essa palhaçada de uma vez.

Antes de ir, paro na frente do Antony. Preciso que ele lembre quem manda aqui.

— Tira esse sorrisinho do rosto — digo baixo, só pra ele ouvir. — Em hipótese alguma eu vou deixar minha mulher participar desse circo.

Ele dá mais um sorriso. Se aproxima.

— Você devia deixar sua mulher ser feliz — sussurra. — Em vez de impedir ela de voar. Todo passarinho preso uma hora cansa. Lembra disso, Marino.

Detesto ele.

Se soubesse com quem tá mexendo, não abriria a boca.

— Vamos — falo pros meus homens. — Empresa. Agora. Temos problema com aquela carga especial.

Já avisei: ninguém encosta sem minha autorização.

No carro meu telefone toca.

— Fala — atendo.

— Chefe, a secretaria nova tá dando problema. Disse que ouviu vozes no caminhão. Pedido de socorro.

Droga.

— Tira ela da sala imediatamente. — Estou chegando.

— Já tirei. Ela tá aqui na sua sala. Diz que quer falar com o senhor.

Claro que quer.

— Manda ela entrar. Vamos ver esse "mal-entendido".

5 minutos depois.

A porta abre. Uma menina de roupa social. Cabelo preso. Cara de quem ainda acredita em justiça.

— Antes de tudo — ela começa — estou aqui contra a minha vontade.

Era só o que me faltava. Uma Barbie querendo ser heroína.

— Você está aqui porque eu ordenei — corto. — Até onde eu sei, faz parte do trabalho obedecer o superior.

Não gosto de ser questionado. Ainda mais por uma novata.

— Posso saber por que fui tirada da sala? — ela mantém a postura. — Vi algo suspeito. Só estava fazendo meu trabalho, senhor.

Um trabalho que ninguém pediu — Penso.

— Seus colegas não viram nada — digo, me recostando na cadeira. — Então talvez você tenha imaginado.

Ela explode.

— Posso ser novata, senhor. Mas não sou louca. Exijo respeito.

Não desrespeitei. Só falei o óbvio.

— No nosso meio — explico devagar — observação feita sozinha, é observação que não existiu. Entendeu como as coisas funcionam aqui?

Vejo a ficha cair no rosto dela.

— Então todo o escritório só faz se o senhor quiser que seja feito — ela conclui.

Finalmente.

— Agora volta pro seu posto — me levanto. — Outro executivo já assumiu sua posição na reunião. Uma empresa deste porte não é lugar pra Dora Aventureira.

Ela morde o lábio. Respira.

— Tá bem, senhor. Mas que fique claro: é a última vez que me tiram da função sem motivo. Senão eu subo isso.

Merda.

Já não basta a ideia idiota da Melissa de ser atriz. Agora tenho problema com a secretária também.

Bato na mesa.

— Com licença! — a secretária abre a porta sem pedir. — A cópia do contrato que a sua esposa assinou.

Ela j**a a pasta na minha mesa.

— Parabéns, senhor. Sua mulher é oficialmente atriz.

O sangue ferve.

Contrato. Multa. Cláusulas.

Vou ler de cabo a rabo. Em hipótese alguma ela vai contracenar com aquele babaca.

— Chama meu advogado — ordeno. — É urgente. Quero esse contrato revisado hoje.

Se a minha amada acha que me deu um golpe assinando isso, ela está muito enganada.

O advogado entra. Olha a pasta. Suspira.

— É um prazer sempre atendê-lo — ele diz. — Mas se for sobre rescindir... sinto informar. Vai ser muito difícil.

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