Mundo de ficçãoIniciar sessão— Você está acelerada hoje, Nayla. O que houve? Dormiu bem?
ele provocou, a voz rouca de quem tinha passado a noite em claro. — Vai querer escolher o relógio ou prefere o de sempre? ignorei, estendendo o cabide com o terno. — Confio cegamente em você. Sabe disso. Voltei para o quarto principal e comecei a dispor as abotoaduras e a gravata sobre a cama. Ele continuava me observando. — Você não me respondeu. Parei e finalmente o encarei. Ele era o diabo vestido de desejo: atlético, arrogante e perigoso. — Minha vida pessoal nunca foi do seu interesse, senhor Cupertini. Mas, se quer saber, eu dormi bem, sim. Ele deu um passo na minha direção, um sorriso ladino brincando nos lábios. — Isso é uma pena, você dorme de mais pra uma recém noiva. Senti um arrepio de raiva ou algo que eu me recusava a nomear e apenas apontei para a cama. — Vista isso. Sem o menor pudor, ele levou a mão à cintura e deixou a toalha cair. Eu já o tinha visto de muitas formas, em jatinhos, em lanchas, em farras mas a nudez dele era sempre um desafio, uma forma de mostrar que ele não seguia regra nenhuma. Virei de costas imediatamente, ouvindo o risinho vitorioso dele às minhas costas. — Não tem nada aqui que você já não tenha visto, Nayla, porque a timidez? Não respondi, e a falta de resposta pra ele era combustível. como sei disso? no sorrisinho irônico que ele deixou escapar, propositalmente. — Passe a agenda da semana. ele ordenou, enquanto eu ouvia o som do tecido sendo vestido. — Almoço com os acionistas às 13h, reunião com o marketing às 15h30. O gala é às 20h. Amanhã cedo, jatinho para Mônaco. O GP começa na quinta. — Pode virar. ele disse o comando. Virei. Ele já estava de calças e camisa, terminando de fechar os punhos. — Soube que o Hector te pediu em noivado. ele soltou a frase como se fosse um comentário sobre o clima, enquanto pegava o relógio. Travei por um segundo. — Sim. Ele pediu. Aiden terminou de ajustar o relógio e me encarou. Aqueles olhos escuros pareciam ler cada um dos meus pensamentos, sobre futuro. — E você achou uma boa ideia aceitar, Nayla? Um casamento dentro da nossa realidade é quase difícil de manter, tem certeza que conhece o homem que dorme ao seu lado? Apertei o tablet contra o peito e olhei para o relógio na parede. — O senhor vai se atrasar se continuarmos falando da minha vida. Vamos? Ele sorriu de lado. Aquele sorriso que dizia que ele ainda não tinha terminado de me provocar. — Sua vida passou a ser a minha, quando você assinou o nosso contrato. Não está pensando em abandona-lo com essa ideia de casamento está? — Minha vida pessoal nunca atrapalhou meu desempenho. Podemos ir? — Já disse que gosto desse teu jeito direta hoje? Saímos da suíte. Hector já estava lá fora, impecável em seu terno preto, ao lado de outro segurança. Ele assentiu profissionalmente para o chefe. — Carro a postos, senhor Cupertini. Aiden passou por ele sem dizer uma palavra, apenas um aceno arrogante. Mas, ao entrar no elevador, ele fez questão de encostar o ombro no meu. Um toque breve, desnecessário, que me fez lembrar o que o ele falou sobre nosso noivado. ... O salão do hotel em Dubai exalava um cheiro inebriante de dinheiro e perfumes que custavam mais do que um carro popular. Observava tudo da lateral, perto da mesa de som, com o rádio comunicador discretamente preso ao meu ouvido e o tablet em mãos. Aiden estava no centro de um círculo de investidores alemães. O terno azul que escolhi caía perfeitamente nele, moldando seus ombros largos. Ele segurava uma taça de cristal com um uísque que custava cinco mil dólares a garrafa, rindo de algo que um homem velho disse. Ele era o mestre do espetáculo. O canalha mais charmoso que aquele salão já tinha visto. — Nayla... A voz dele soou no meu ponto eletrônico, baixa e rouca. — Sim, senhor Cupertini? respondi, meus olhos escaneando o salão. — O alemão à minha direita está ficando entediado. Mande trazer aquela modelo russa que conhecemos em Paris. Ela está no lounge VIP. Agora. suspirei internamente. O "trabalho" de relações públicas dele muitas vezes envolvia usar mulheres como entretenimento para fechar contratos. — Vou providenciar. disse, já digitando para a recepção. Meus olhos buscaram Hector. Ele estava parado perto da entrada principal, a postura rígida, as mãos cruzadas à frente do corpo. Ele parecia o noivo perfeito, o homem que me daria a estabilidade que esse mundo louco me tirava. Eu precisava de um minuto com ele. Apenas um "está tudo bem" para aguentar as próximas cinco horas de evento. ...






