CAPÍTULO 06

O som das turbinas do jatinho era apenas um ruído de fundo comparado ao caos na minha mente.

Aiden estava com o notebook aberto, mas seus olhos estavam fixos na janela, observando o azul infinito lá embaixo.

Hector estava na parte traseira da cabine, conferindo os protocolos de desembarque com o outro segurança.

A proximidade era constante, mas o silêncio entre nós três era um abismo.

— O cronograma para o Grande Prêmio...

comecei, minha voz cortando o silêncio da cabine.

— O jantar de gala do Prince’s Club é amanhã. O senhor tem três reuniões no iate da Holding e o camarote principal para a corrida de domingo.

Aiden não se moveu.

— E a lista de convidados do jantar?

— Eu a filtrei pessoalmente.

respondi, sabendo exatamente o que ele estava perguntando.

— O seu pai e a... senhora Cupertini estarão na mesa principal, no lado oposto do salão. As entradas e saídas foram coordenadas para que vocês não se cruzem em momento algum.

Aiden finalmente virou o rosto para mim. Havia uma amargura nos seus lábios que ele não conseguia esconder com seu sarcasmo habitual.

— Você é um gênio da logística, Nayla. Às vezes esqueço que você tem um coração batendo por trás desse tablet, e não apenas um processador de dados.

Sabia que ele estava falando do que aconteceu naquele banheiro.

— Faço o que sou paga para fazer, senhor Cupertini.

Ele se inclinou para frente, diminuindo a distância entre nós. O cheiro de café e menta me atingiu.

— Aiden... Me chame assim, quebre esse muro Nayla, eu já te dei abertura pra isso.

Antes que eu pudesse responder, Hector caminhou pelo corredor central e parou ao nosso lado.

— Estamos iniciando a descida, senhor. O motorista já confirmou, estar nos esperando.

Aiden olhou para Hector com um desdém tão evidente que o ar pareceu esfriar.

— Ótimo trabalho, segurança. Espero que em Mônaco você não precise de tantas "rondas de perímetro" quanto em Dubai. Quero minha equipe alerta 24 horas por dia.

Hector apenas assentiu, a face imóvel como pedra.

— Estaremos, senhor.

Ele me lançou um olhar mas voltei olhar pro tablet, sem lhe dar brecha.

Assim que pousamos no rochedo de Mônaco, o luxo se tornou quase agressivo.

Fomos direto para a suíte master do Hotel.

Enquanto a equipe descarregava as dezenas de malas, entrei no quarto de Aiden para a rotina de sempre.

Abri o closet imenso e comecei a separar o traje para o coquetel de boas-vindas daquela noite.

— Nayla.

ele me chamou. Ele estava parado na varanda, de costas para mim, olhando para o cassino.

— Traga uma bebida. E fique.

— Tenho que conferir os horários do buffet para a recepção no iate amanhã...

— Agora, Nayla.

Servi um uísque com um único cubo de gelo e levei até ele.

Quando entreguei o copo, ele não pegou apenas o cristal, seus dedos envolveram os meus, segurando minha mão por mais tempo do que o necessário.

— O que aconteceu naquele jato, não vai mais acontecer, eu vou garantir isso.

A voz dele saiu baixa, quase vulnerável, o que me assustou mais do que sua arrogância de achar que minha vida pessoal estava sob seu controle.

— Minha vida pessoal é algo que eu quero manter segura... Por favor respeite isso.

confessei, sem conseguir puxar minha mão. Ele soltou um riso seco e soltou minha mão, bebendo o uísque de uma vez.

— Sua vida pessoal passa a ser minha toda vez que você renova o contrato comigo, Nayla. Deveria saber disso.

Ele se virou e entrou no quarto, me deixando sozinha na varanda.

Fiquei ali por um segundo, tentando acalmar meu pulso, quando vi Hector no andar de baixo, no pátio do hotel.

Ele estava falando ao celular, afastado da equipe. Ele parecia tenso, olhando em volta como se não quisesse ser visto.

Meu peito apertou, uma sensação tão angustiante de insegurança e desconfiança que nunca senti dele.

Eu só pensei em ir atrás dele, mas o rádio de monitoramento alertou:

— Nayla, o setor de eventos quer confirmar a lista de bebidas para o iate. Eles dizem que o champanhe vintage que o senhor Cupertini exigiu não chegou.

— Estou indo.

respondi, suspirando.

Passei o resto da tarde resolvendo crises. Era o meu mundo: apagar incêndios para que Aiden Cupertini pudesse brilhar.

Quando a noite caiu, o evento no iate começou. Mulheres em vestidos de seda que custavam fortunas circulavam, todas tentando chamar a atenção de Aiden.

...

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