CAPÍTULO 05

Assim que chegamos ao ponto do jatinho. Aproveitei o momento em que Aiden se afastou para conferir o plano de voo com o piloto e caminhei a passos rápidos até Hector, que conferia o perímetro externo do carro.

Meu coração ainda batia descompassado.

— Hector, o que foi aquilo?

perguntei baixo, tentando manter a voz firme.

— Me disseram no rádio que você foi levar uma convidada até a suíte. Isso não é sua função.

Ele finalmente me olhou, mas não havia o carinho que eu esperava. Seus olhos eram apenas fendas de profissionalismo rígido.

Ele sempre foi doente pela profissão, como era impecável, eu também sempre fui, mas agora era diferente.

Principalmente porque eu sabia que a função das acompanhantes nada mais era do que distrações sexuais.

— Foi o próprio Cupertini que me mandou, Nayla. Eu só estava fazendo o meu trabalho. Mantenha a postura, tem gente olhando. Volte pro seu posto a gente fala disso depois.

O impacto das palavras dele foi como um tapa. "Mantenha a postura". Eu sentia que estava desmoronando por dentro, tentando equilibrar o peso de um anel e o peso de ser a estrutura daquele mundo, e o homem que deveria ser meu refúgio me tratava como uma desconhecida fardada.

Ele se afastou indo até um dos seguranças, me deixando sozinha.

Me aproximei da entrada do jatinho me sentindo um nada.

— Algum problema, Nayla?

A voz de Aiden surgiu atrás de mim, arrastada e perigosa.

Respirei fundo, engolindo o nó na garganta.

— Nenhum, senhor. O jatinho já está nos esperando.

— Ótimo. Detesto atrasos.

Subimos os degraus da aeronave. Me sentei na poltrona de couro e encostei a cabeça no estofado frio, observando as luzes da pista de decolagem.

Meus olhos arderam.

Uma única lágrima, solitária e quente, traiu minha máscara e escorreu pelo meu rosto. Limpei rápido, com as costas da mão.

Não podia ter sentimentos agora.

Precisava ser de gelo. De pedra. Mas a verdade é que eu estava cansada de ser apenas uma engrenagem na máquina de Aiden Cupertini e a indiferença do homem que eu amava.

— Com licença.

murmurei, sem olhar para ninguém.

Me levantei e fui até o banheiro do jatinho. Assim que tranquei a porta, o silêncio me atingiu.

Eu não conseguia respirar.

Tirei o celular do bolso e a tela brilhou: o fundo de tela era a foto do nosso jantar em Dubai. O reflexo do vidro, o diamante no meu dedo, o sorriso de Hector. Que ironia. Como íamos construir um casamento se nem podíamos nos falar sem permissão?

Solucei baixo, limpando o rosto com papel toalha.

Me olhei no espelho. Eu parecia uma robô. Uma peça cara de um tabuleiro de xadrez. Recompus o coque, ajeitei o blazer e saí.

Mas travei assim que abrir a porta.

Aiden estava ali, encostado na divisória da cabine, com um copo de cristal na mão e os olhos fixos na porta do banheiro, como se esperasse minha saída.

Agora em mim.

Ele não estava bebendo.

— Eu... demorei? Não sabia que iria usar o banheiro.

perguntei, a voz saindo mais trêmula do que eu gostaria.

— Você pode levar o tempo que for preciso lá dentro, Nayla.

ele respondeu, o tom de voz sombrio indicando que ele sabia exatamente que eu estava chorando.

— Não preciso de mais. Com licença.

Tentei passar por ele, mas o espaço era estreito. Aiden soltou um suspiro pesado, um som que raramente ele deixava escapar.

— Quanto antes você enxergar que isso é um erro, melhor para você, Nayla. Eu te garanto isso.

Parei por um segundo, a raiva fervendo sob a pele.

O que ele sabia sobre relacionamentos? Um homem que trocava de mulher como quem troca de gravata.

Que nunca se permitiu conhecer ninguém além do que havia entre as pernas delas.

Não respondi. Voltei para o meu lugar.

Hector estava ao fundo, trocando informações táticas com os outros seguranças.

Ele me viu voltando, o olhar dele fixou em mim, mas o estrago já estava feito dentro do meu orgulho.

Me sentei e voltei a olhar pela janela.

Se ele achava que podia me tratar com aquela grosseria e que depois fingiríamos que nada aconteceu sob os lençóis, ele estava muito enganado.

Aiden também voltou, sentou na minha frente.

Senti um peso no seu olhar, agora dos dois.

Me virei para o lado oposto.

Aiden estava com um sorrisinho perverso brincando nos lábios. Ele olhou para a janela, e pelo reflexo do vidro, vi a satisfação brilhando em seus olhos escuros.

Ele não estava apenas prevendo o fim do meu noivado. Ele estava orquestrando cada nota daquela sinfonia de desastre.

Porque ele mexia com minha cabeça, mesmo que eu negasse a todo custo o efeito que cada palavra dele tinha sobre mim.

...

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