Mundo de ficçãoIniciar sessãoDIAS DEPOIS...
Meu trabalho é manter o mundo de Aiden Cupertini girando. Ele é o herdeiro de um império, o rosto que estampa Campanhas de organização de eventos milionários e o homem que troca de mulher com a mesma facilidade com que troca de relógio. Para o mundo, ele é um deus. Para mim? Ele é o canalha que me liga às três da manhã para eu tirar uma modelo do seu quarto enquanto ele observa o mar, frio como o gelo no seu uísque. Eu tinha um plano. tinha uma armadura. E agora eu tinha um noivado "perfeito" com o Hector, o homem que deveria ser meu porto seguro no meio de toda essa loucura. Mas Dubai mudou tudo ou foi meu noivado, que ele não aceitou bem. ... O coque estava tão apertado que eu sentia o couro cabeludo latejar, mas era assim que eu precisava estar: impecável. No reflexo do espelho da suíte lateral, eu não via uma mulher de trinta e poucos anos, via a extensão da eficiência do império Cupertini. Ajustei a saia lápis, garantindo que o tecido estivesse liso, uma armadura social contra o caos que me esperava do outro lado da porta. Senti as mãos de Hector envolverem minha cintura. Ele tinha acabado de sair do banho, o cheiro do sabonete de hotel lutando contra a maresia que entrava pela varanda da cobertura em Dubai. — Está linda... ele sussurrou, deixando um beijo no meu pescoço enquanto terminava de ajustar o relógio. Olhei para ele pelo espelho. Hector era a única coisa "normal" em uma vida que consistia em organizar o excesso alheio. — Será que algum dia... vamos parar em algum lugar, Hector? perguntei, a voz saindo mais cansada do que eu pretendia. — Ter uma casa com cheiro de comida caseira em vez de serviço de quarto? Ele soltou um riso curto, concentrado na pulseira de aço do relógio. — Não reclama do trabalho, Nay. A gente está junto, não está? Sabe quantas pessoas matariam para estar no nosso lugar? Viajando o mundo, ganhando o que a gente ganha? — Muitas. respondi, mas o peso no meu peito não diminuiu. — Exatamente. Dinheiro, luxo... e nós dois. É o que importa. Me virei, buscando o conforto dos lábios dele. Eu queria um beijo que me ancorasse, que me fizesse esquecer o cronograma de dezoito horas que eu tinha pela frente. Mas o beijo de Hector foi raso. Rápido. O selinho de um homem que já estava com a mente no posto de guarda. — Vai lá... ele deu um tapinha leve na minha bunda. — Não vai querer chatear o Cupertini. O dia hoje vai ser longo, o evento de hoje é um dos maiores do ano. Engoli a seco e assenti. Saí do nosso quarto e caminhei os poucos metros até a suíte presidencial. Ao abrir a porta, o cheiro de perfume caro misturado a champanhe amanhecido me atingiu. O cenário era o de sempre: roupas de grife pelo chão, garrafas de cristal e, na cama de lençóis de seda, duas mulheres que eu mesma tinha selecionado na lista VIP da boate na noite anterior. — Levantem. minha voz saiu fria, cortando o silêncio do quarto. — A noite acabou. Vistam-se Agora. As mulheres resmungaram, mas ninguém ousava questionar a "mulher de gelo" de Aiden Cupertini. Enquanto elas se atrapalhavam com os vestidos, a porta do banheiro se abriu. Aiden saiu de lá apenas com uma toalha branca pendurada no quadril, gotas de água escorrendo pelo peito definido. — Tchau, queridas. A noite foi maravilhosa. ele disse com aquele sorriso cínico, o tipo de sorriso que ele usava para convencer o mundo de que nada o atingia. Uma delas se aproximou e lhe deu um beijo de despedida. — Me liga... Ela pôs algo na mão não dele. Desviei o olhar para o meu tablet. Como mulheres tão lindas se sujeitavam a ser apenas um compromisso na agenda de um homem que nem lembrava o nome delas? Assim que a porta se fechou, Aiden soltou um suspiro e se virou para mim. — Minha salvadora de armadura chegou. O que seria de mim sem você? — O senhor tem trinta minutos para o café. O evento da Holding começa às nove e a equipe de organização já me enviou cinco alertas. falei, caminhando direto para o closet sem olhar para trás. — Vou separar o terno azul-marinho. Transmite autoridade. Entrei no closet monumental. Aiden me seguiu, parando no batente da porta, ainda apenas de toalha, amassando o papel com possivelmente número da mulher. ...






