CAPÍTULO 02

DIAS DEPOIS...

Meu trabalho é manter o mundo de Aiden Cupertini girando.

Ele é o herdeiro de um império, o rosto que estampa Campanhas de organização de eventos milionários e o homem que troca de mulher com a mesma facilidade com que troca de relógio.

Para o mundo, ele é um deus. Para mim? Ele é o canalha que me liga às três da manhã para eu tirar uma modelo do seu quarto enquanto ele observa o mar, frio como o gelo no seu uísque.

Eu tinha um plano. tinha uma armadura. E agora eu tinha um noivado "perfeito" com o Hector, o homem que deveria ser meu porto seguro no meio de toda essa loucura.

Mas Dubai mudou tudo ou foi meu noivado, que ele não aceitou bem.

...

O coque estava tão apertado que eu sentia o couro cabeludo latejar, mas era assim que eu precisava estar:

impecável. No reflexo do espelho da suíte lateral, eu não via uma mulher de trinta e poucos anos, via a extensão da eficiência do império Cupertini.

Ajustei a saia lápis, garantindo que o tecido estivesse liso, uma armadura social contra o caos que me esperava do outro lado da porta.

Senti as mãos de Hector envolverem minha cintura. Ele tinha acabado de sair do banho, o cheiro do sabonete de hotel lutando contra a maresia que entrava pela varanda da cobertura em Dubai.

— Está linda...

ele sussurrou, deixando um beijo no meu pescoço enquanto terminava de ajustar o relógio.

Olhei para ele pelo espelho. Hector era a única coisa "normal" em uma vida que consistia em organizar o excesso alheio.

— Será que algum dia... vamos parar em algum lugar, Hector?

perguntei, a voz saindo mais cansada do que eu pretendia.

— Ter uma casa com cheiro de comida caseira em vez de serviço de quarto?

Ele soltou um riso curto, concentrado na pulseira de aço do relógio.

— Não reclama do trabalho, Nay. A gente está junto, não está? Sabe quantas pessoas matariam para estar no nosso lugar? Viajando o mundo, ganhando o que a gente ganha?

— Muitas.

respondi, mas o peso no meu peito não diminuiu.

— Exatamente. Dinheiro, luxo... e nós dois. É o que importa.

Me virei, buscando o conforto dos lábios dele. Eu queria um beijo que me ancorasse, que me fizesse esquecer o cronograma de dezoito horas que eu tinha pela frente.

Mas o beijo de Hector foi raso.

Rápido. O selinho de um homem que já estava com a mente no posto de guarda.

— Vai lá...

ele deu um tapinha leve na minha bunda.

— Não vai querer chatear o Cupertini. O dia hoje vai ser longo, o evento de hoje é um dos maiores do ano.

Engoli a seco e assenti.

Saí do nosso quarto e caminhei os poucos metros até a suíte presidencial.

Ao abrir a porta, o cheiro de perfume caro misturado a champanhe amanhecido me atingiu.

O cenário era o de sempre: roupas de grife pelo chão, garrafas de cristal e, na cama de lençóis de seda, duas mulheres que eu mesma tinha selecionado na lista VIP da boate na noite anterior.

— Levantem.

minha voz saiu fria, cortando o silêncio do quarto.

— A noite acabou. Vistam-se Agora.

As mulheres resmungaram, mas ninguém ousava questionar a "mulher de gelo" de Aiden Cupertini.

Enquanto elas se atrapalhavam com os vestidos, a porta do banheiro se abriu.

Aiden saiu de lá apenas com uma toalha branca pendurada no quadril, gotas de água escorrendo pelo peito definido.

— Tchau, queridas. A noite foi maravilhosa.

ele disse com aquele sorriso cínico, o tipo de sorriso que ele usava para convencer o mundo de que nada o atingia.

Uma delas se aproximou e lhe deu um beijo de despedida.

— Me liga...

Ela pôs algo na mão não dele.

Desviei o olhar para o meu tablet.

Como mulheres tão lindas se sujeitavam a ser apenas um compromisso na agenda de um homem que nem lembrava o nome delas?

Assim que a porta se fechou, Aiden soltou um suspiro e se virou para mim.

— Minha salvadora de armadura chegou. O que seria de mim sem você?

— O senhor tem trinta minutos para o café. O evento da Holding começa às nove e a equipe de organização já me enviou cinco alertas.

falei, caminhando direto para o closet sem olhar para trás.

— Vou separar o terno azul-marinho. Transmite autoridade.

Entrei no closet monumental.

Aiden me seguiu, parando no batente da porta, ainda apenas de toalha, amassando o papel com possivelmente número da mulher.

...

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