"Eu te amo! Casa comigo!"
Emily Carter segurava seu chá e se preparava para sair do shopping quando ouviu uma voz familiar.
Quando seu olhar atravessou a multidão e encontrou o homem ajoelhado, segurando uma caixinha de anel, sua mente ficou em branco.
Apenas duas horas atrás, Ryan Foster havia dito que a amava e que não se casaria com mais ninguém.
E agora, ali estava ele — beijando apaixonadamente outra mulher em meio aos aplausos dos passantes. Emily respirou fundo, engoliu a náusea e caminhou em direção a ele.
No fim, foi a outra mulher quem a notou primeiro e puxou o braço de Ryan.
Quando Ryan viu Emily, um lampejo de surpresa cruzou seu rosto. Ele sussurrou algo para a mulher e foi ao encontro dela.
— O que você está fazendo aqui?
— Ryan Foster, você se esforçou muito atuando por dois anos. — Emily o encarou com os olhos marejados, pegou o chá com que tinha na mão e jogou nele: — Considero esses dois anos como se tivesse dado comida para um cachorro!
A camisa branca de Ryan ficou encharcada. As veias do seu pescoço pulsaram e ele agarrou o pulso dela com força. — Emily, que diabos você está fazendo?!
Emily lutou contra as lágrimas. — Eu é que estou louca? Você pediu outra mulher em casamento na frente de todo mundo, e ainda tem a coragem de me questionar?
Ryan abaixou a voz, os olhos faiscando. — Emily, para de fazer cena. Volta para a loja e a gente conversa depois.
Emily ficou chocada com o tamanho da sem-vergonhice dele. Puxou a mão de volta com força e disse:
— Ryan, acabou entre nós!
Ela mal havia dado alguns passos quando ouviu, vagamente, a voz grave de Ryan consolando a outra mulher:
— Amor, aquela aí fica me perseguindo, não me deixa em paz... mas eu nunca cedi. Ela tá com ciúme de como eu cuido de você...
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— Amor?
— Canalha!
— Vocês namoraram dois anos e eu nunca ouvi ele te chamar assim. Que nojo, meu Deus.
Sarah Mendes, melhor amiga de Emily, socou o sofá com o rosto cheio de indignação.
Emily pegou uma garrafa de cerveja, deu um gole longo, fez uma careta e disse amargamente:
— Que gosto horrível.
Sarah percebeu que havia algo diferente nela. Deu um passo à frente e a abraçou com força, dizendo com suavidade:
— Melhor descobrir agora do que continuar no escuro enquanto eles ficam juntos. Quem sabe, com mais tempo, ainda te culpariam por atrapalhar a felicidade deles.
— Não podíamos deixar eles ficarem juntos por mais tempo mesmo.
— É... estou bem. — Na verdade, ela não estava tão arrasada quanto esperava. Mas sentia que o amor era algo complicado — real e falso ao mesmo tempo, impossível de entender de verdade.
De repente, uma lembrança voltou com força: havia mais de um mês, ela havia escutado por acidente uma ligação entre Ryan e a mãe dele.
Escutou vagamente a mãe chamá-la de "interiorana sem futuro" e "galinha velha que não dá filho", e ainda falando em apresentar Ryan à neta de um sócio da empresa.
Na época, ela não tinha ouvido a resposta de Ryan. Mas agora ficava claro que ele concordava com cada palavra da mãe — e provavelmente já estava com aquela mulher fazia tempo.
Depois de um silêncio, Sarah a soltou devagar, com um olhar preocupado:
— Então... sua mãe vai voltar a te procurar, né...?
Emily entendeu a preocupação da amiga.
Havia pouco tempo, sua mãe biológica — uma mulher que havia a ignorado por vinte e quatro anos — reapareceu na sua vida querendo que ela se casasse com o filho único do homem mais rico da cidade.
Sem pensar duas vezes, Emily recusou na hora, alegando que tinha namorado.
Mais tarde, foi Sarah quem a contou a história: o tal filho havia sofrido um acidente de carro três anos antes, ficando com as duas pernas paralisadas. A noiva de na época fugiu do país da noite para o dia, e desde então ele se tornara frio, implacável e cruel. As pessoas do meio o temiam e evitavam a qualquer custo.
Mesmo assim, para encontrar uma parceira que compatível com o do filho, a senhora Hayes oferecia um dote de cem milhões e o investimento exclusivo da família Hayes como condição.
Não era à toa que uma "oportunidade dessas" havia caído no colo de Emily em vez de ir para a irmã favorita da família.
Mas ela não queria se casar — e, por mais que tentassem, ela não ia ceder.
Emily tranquilizou a amiga:
— Fica tranquila. Se entrarem em contato de novo, eu recuso na mesma hora.
Mal terminou de falar, o coração de Emily deu um salto sem motivo aparente. Uma inquietação estranha tomou conta dela.
O celular tocou.
Assim que atendeu, sua expressão mudou completamente.
Ela se levantou de um salto, a voz trêmula:
— Preciso ir agora.
— Sarah, aconteceu alguma coisa com a vovó. Preciso voltar para casa.
Sarah observou a figura da amiga se afastar, os olhos carregados de preocupação.
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Casa da família Carter.
— Como está a vovó?
Emily pegou um táxi às pressas e foi direto para o quarto da avó.
No quarto, a senhora Carter estava deitada na cama com os olhos fechados, o rosto pálido, um tubo de oxigênio inserido no nariz.
Os olhos de Emily ficaram vermelhos na hora.
— A senhora está estável agora. Felizmente, a empregada a encontrou desmaiada no banheiro a tempo, e o médico conseguiu reanimá-la sem maiores complicações. Ela está fora de perigo.
O mordomo James explicou ao lado.
— Hm.
Emily engasgou, mordeu o lábio e apertou a mão da avó com cuidado. Um arrepio percorreu seus dedos e seu coração disparou.
Seis anos atrás, sua avó havia sofrido um ataque cardíaco repentino no interior. Por sorte, foi levada às pressas para Capital e passou por uma cirurgia de ponte de safena. O médico havia dito que não afetaria a rotina dela.
E os últimos seis anos tinham sido tranquilos. Então por que ela havia desmaiado assim, de repente?
— Senhorita Emily, o senhor e a senhora pedem que a senhorita vá ao escritório.
A voz do James a trouxe de volta à realidade.
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No escritório.
Assim que entrou, Emily viu seus pais sentados no sofá, olhando para ela com sorrisos que nunca havia visto antes — o tipo de sorriso que não chegava aos olhos.
— Pai. Mãe.
Ela chamou baixinho, ainda com os olhos levemente marejados.
— Que tipo de atitude é essa? — O senhor Carter não se conteve e a repreendeu na hora.
Emily ficou parada a certa distância, o olhar baixo.
— Por que vocês me chamaram aqui?
A senhora Carter deu um tapinha no braço do marido e se virou para Emily com um sorriso no rosto — frio, calculado.
— Amanhã você vem comigo à casa da família Hayes para assinar a certidão de casamento com o filho deles.
Emily ficou boquiaberta. Sua avó ainda estava doente — e eles estavam falando isso para ela agora?
— Não vou. — Ela recusou sem hesitar e se virou para ir embora.
— Para.
A mãe chamou com voz firme. O sorriso desapareceu, substituído por algo gelado:
— Se não quer se casar, pensa na sua avó. Você não quer que ela passe o resto da vida dependendo de aparelhos, quer?
Bum.
As pupilas de Emily se contraíram. O sangue pareceu congelar nas veias. As pontas dos dedos tremiam ao lado do corpo enquanto ela virava devagar e encarava a mãe com atenção total.
O que ela está dizendo?
O acidente da vovó não foi um acidente?
Um arrepio percorreu sua espinha de cima a baixo. Quando seus olhos encontraram os da mãe, o coração disparou.
Ela perguntou com a voz embargada, forçando as palavras para não tremer:
— O que vocês querem?
A senhora Carter bufou:
— Vem comigo amanhã à casa dos Hayes para assinar a certidão.
Fez uma pausa e acrescentou:
— E já sei de tudo o que aconteceu com você e seu namorado hoje.
A mensagem estava clara: não adianta usar a desculpa de "tenho namorado" para se esquivar.
O que Emily não sabia era que o encontro com Ryan no shopping havia sido filmado e publicado nas redes sociais.
Emily se lembrou do inverno em que tinha seis anos — uma febre alta, a madrugada, e sua avó a carregando nas costas pela neve que chegava até as panturrilhas, atravessando a aldeia inteira para chegar ao médico.
Agora, com a avó internada e fora de casa, seria simples demais para eles fazerem algo contra ela.
Ela não podia deixar a avó morrer.
Depois de um longo silêncio, Emily afrouxou o punho. Fechou os olhos. Abriu. E cedeu, com a voz rouca:
— Tá bem. Eu me caso.
— Mas vocês precisam garantir a segurança da vovó.
Esse era o único pedido dela.
Naquela noite, Emily dormiu na casa da família Carter pela primeira vez em muito tempo — porque de manhã cedo iria assinar a certidão com Alexander Hayes.
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No dia seguinte.
Emily foi levada à mansão dos Hayes logo cedo, antes que pudesse mudar de ideia.
Ao contemplar a propriedade que ocupava metade do topo de uma colina, ela lançou um olhar rápido e desviou os olhos.
Ao entrarem na sala de estar, a senhora Carter avistou a anfitriã e se aproximou com deferência exagerada:
— Senhora Hayes.
— Senhora Carter.
O olhar da senhora Hayes deslizou pela visitante e pousou em Emily, logo atrás.
Havia cerca de duas semanas, a senhora Carter havia vindo até ela para tratar do assunto, mas depois ficou sabendo que a filha se recusava — então não quis forçar a situação.
Emily sorriu educadamente:
— Tia Hayes.
— Vem cá, deixa eu te ver.
Emily deu um passo à frente e deixou a senhora Hayes a examinar.
Pele clara, olhos vivos, sorriso natural. Seus olhos amendoados transmitiam uma calma que fazia qualquer um se sentir bem só de olhar. A senhora Hayes ficou satisfeita só com a aparência.
— Seu nome é...?
— Tia Hayes, meu nome é Emily. Pode me chamar de Emmy, se quiser.
— Emmy. — A senhora Hayes a puxou com satisfação e disse à governanta: — Dona Rosa, vai chamar o Alex, por favor.
— O senhor já está chegando!
Mal terminou de falar, o som de uma cadeira de rodas deslizando pelo piso ecoou atrás dela. O som era discreto, quase imperceptível — mas atingiu Emily em cheio. Sua mão, ao lado do corpo, se fechou de forma quase instintiva.