Ao ver os dois se aproximando, a senhora Hayes pegou a mão de Emily e caminhou até Alexander. — Alex, essa é a moça de quem mamãe te falou ontem à noite. A partir de agora, Emmy será sua esposa. Cuide bem dela.
As orelhas de Emily queimavam. Ela não conseguia parar de olhar para ele.
O homem estava sentado na cadeira de rodas com uma postura que exalava nobreza e distanciamento. Vestia uma camisa preta com as mangas arregaçadas até os cotovelos, revelando os antebraços pálidos, fortes, bem definidos.
Rosto fechado, nariz reto, olhos fundos. Emily ficou impressionada com a aparência dele — mais do que esperava.
De repente, sentiu um peso sufocante sobre si, e o coração deu um salto.
Era Alexander quem a encarava. Seus olhos escuros emanavam uma autoridade que ela mal conseguia suportar. Fez um esforço para não recuar.
Com apenas um olhar, ele a fez sentir um frio na espinha.
Alexander curvou levemente os lábios num sorriso e olhou diretamente para ela:
— Então você é minha noiva?
Estava claramente sorrindo — mas Emily o achou mais assustador assim do que se não estivesse.
Ela cravou as unhas nas palmas das mãos para se recompor, esboçou um sorriso e disse com um brilho forçado nos olhos:
— Sim. Fico muito feliz em ser sua esposa.
Alexander não respondeu. Apenas continuou com os olhos fixos nela.
A senhora Hayes percebeu o nervosismo de Emily e deu um tapinha leve na sua mão:
— Não precisa ter medo, minha filha, eu estou aqui.
Em seguida, lançou um olhar firme para o filho.
Alexander estava visivelmente impaciente, mas mesmo assim suavizou um pouco a frieza que emanava dele.
— Rita, vá buscar os funcionários do cartório, por favor — disse a senhora Hayes.
Rita assentiu e se virou para sair.
Foi então que Alexander falou de repente:
— Gostaria de conversar com a senhorita Carter a sós.
A senhora Hayes o encarou com os olhos semicerrados. Ela sabia exatamente o que ele estava tramando — e apertou a mão de Emily com firmeza.
Na noite anterior, havia passado um bom tempo convencendo o filho, chegando até a dizer que Emily se casava com ele porque gostava de verdade, e que ele não deveria deixar uma moça tão boa escapar.
Mas ainda não havia tido a chance de alinhar essa versão com Emily. Se elas fossem pegas numa contradição...
A senhora Hayes estava ansiosa por dentro, mas não deixava nada aparecer no rosto.
Emily sentiu a mão da senhora Hayes apertar o seu pulso com força. A tranquilizou com um leve sorriso:
— Senhora Hayes, não se preocupe. Não vou voltar atrás.
A senhora Hayes soltou o ar devagar.
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No jardim dos fundos.
Silêncio. Emily caminhava ao lado de Alexander. Nenhum dos dois dizia nada. O único som era o suave rodar da cadeira de rodas pelo piso de pedra.
Ela estava tensa, perguntando a si mesma por que ele a havia chamado.
— Senhorita Carter.
Ele a chamou.
O coração de Emily apertou.
— Hm?
— Por que você quer se casar comigo?
As pupilas de Emily se contraíram. Ele sabe de alguma coisa?
Ela logo descartou a ideia. No escritório, só havia os três. Não tinha como ele saber.
Mas então por que perguntou isso?
Alexander notou as sobrancelhas dela franzidas e a observou com o olhar fundo.
— É claro que é porque gosto do senhor — ela disse, forçando a voz a soar natural.
Medo.
Esse havia sido seu primeiro pensamento ao vê-lo. Mas agora ela não podia deixar isso transparecer.
Alexander estreitou os olhos. Olhou diretamente nos olhos claros e vivos dela — e estendeu a mão.
Antes que Emily pudesse reagir, já estava sentada no colo dele.
O cérebro dela desligou.
Ele segurou seu queixo de repente e lançou um olhar gelado:
— Você realmente gosta de um aleijado?
As palavras foram duras. Emily sentiu um desconforto imediato e franziu levemente a testa.
Alexander observou a reação dela e disse com ironia:
— O que a senhorita diz e o que demonstra são coisas bem diferentes.
Ele zombou e retirou a mão — mas foi subitamente segurado por um par de mãos macias e firmes.
— Senhor Hayes... — Emily levou a mão de Alexander ao próprio peito e disse: — Sinta como meu coração está acelerado agora.
Os olhos de Alexander escureceram. Ele puxou a mão de volta com frieza:
— Senhorita Carter, tenha um pouco mais de compostura.
O rosto de Emily corou. Havia sido a única estratégia que conseguiu pensar na hora para tentar convencê-lo.
— O senhor acredita no que eu disse?
Cílios finos. Testa limpa. Expressão aberta.
Alexander retrucou com escárnio:
— Bobagem. Pode se levantar.
O coração de Emily afundou enquanto ela tentava decifrar se ele havia acreditado ou não.
Mas então uma força súbita atingiu sua cintura — e ela foi jogada para o lado, caindo pesadamente no chão. Tentou se apoiar com as palmas das mãos, mas não foi suficiente.
Cuidado para não se machucar.
Tarde demais.
— Ai! — As lágrimas brotaram imediatamente nos olhos de Emily.
Que homem frio e cruel!
O rosto de Alexander endureceu. Havia sido apenas um leve empurrão — ele não esperava que ela caísse assim.
Seu olhar desceu até os arranhões na palma da mão dela. Ele contraiu os lábios.
Ao perceber que ele não estendeu a mão para ajudá-la, um lampejo de autodepreciação cruzou os olhos de Emily. Ela se levantou sozinha.
Tudo bem. A gente aguenta. Desde que a vovó esteja bem, vale a pena.
Ela deu um tapinha na calça para tirar o pó e sorriu para ele:
— Senhor Hayes, não importa o que aconteça, eu sempre vou gostar do senhor.
Alexander lançou um olhar distante para os olhos dela — curvados num sorriso em forma de meia-lua — e não disse mais nada.
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— Alex. Emmy.
Quando a senhora Hayes viu os dois entrarem em sequência, examinou cuidadosamente cada expressão. Nenhum dos dois deixava nada escapar.
— Vamos começar logo — disse Alexander. — Tenho uma reunião à tarde.
Ao ouvir isso, a senhora Hayes finalmente relaxou e sorriu.
A certidão de casamento, foi emitida rapidamente.
— Parabéns, senhor Hayes e senhora Carter.
— Obrigada. — Emily recebeu o documento do funcionário, ainda um pouco atordoada.
Ela havia se casado com um homem que só tinha visto uma vez na vida.
Após a saída dos funcionários, Rita trouxe dois cartões bancários, a pedido da senhora Hayes.
— Este é o presente de noivado para a família Carter. Cinquenta milhões. — A mãe de Emily o pegou com um sorriso de orelha a orelha.
A senhora Hayes entregou o segundo cartão diretamente a Emily:
— Emmy, este casamento foi muito apressado e não nos preparamos como merecíamos. Por favor, aceite este presente. Quando você e o Alex tiverem um momento, eu cuido pessoalmente de uma cerimônia de verdade para vocês.
Emily segurou o cartão com dedos leves — mas parecia pesar uma tonelada.
Ela não tinha ouvido uma palavra sequer do que a senhora Hayes havia dito sobre cerimônia.
Ela pode se divorciar de Alexander quando quiser.
— Obrigada, tia Hayes.
A mãe de Emily saiu satisfeita com o cartão bancário.
Alexander observou tudo em silêncio, de lado, sem dizer uma palavra.
Quando não restou mais nada a fazer, ele disse:
— Mãe, vou para a empresa.
Girou a cadeira de rodas para ir embora.
— Alex.
A senhora Hayes o chamou e perguntou:
— Você não poderia levar a Emmy até onde ela precisa ir?
Alexander estava prestes a recusar quando ela o interrompeu:
— Agora que vocês são casados, é justo que você cuide dela.
Ao ver a determinação nos olhos da mãe, Alexander franziu a testa e olhou para a silenciosa Emily ao seu lado.
Emily não queria ir com ele, mas depois de pensar por um instante, tentou:
— Tia Hayes, não precisa...
A senhora Hayes foi irredutível:
— Emmy, não precisa recusar. Você é esposa dele agora. Isso é o mínimo que ele pode fazer.
No fim, Emily entrou no carro de Alexander.
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Os dois estavam sentados no banco de trás. Emily sentia a respiração um pouco mais curta que o normal.
— Senhora Hayes, para onde a levo? Deixa eu ligar o GPS — perguntou Theo, o assistente pessoal de Alexander, do banco da frente.
Emily ficou levemente desconfortável com o tratamento. Contraiu os lábios e deu o endereço de uma cafeteria. Havia combinado de encontrar Sarah mais tarde.
— Certo.
O carro começou a se mover.
Emily olhou para a janela fechada, desejando abri-la para entrar um pouco de ar fresco — mas no fim não disse nada. Olhou para o ferimento na mão e se lembrou.
Tirou lenços de papel da bolsa, com a intenção de limpar o sangue seco.
De repente, uma mão com dedos bem definidos apareceu no seu campo de visão — segurando um curativo adesivo.
Emily olhou surpresa para Alexander ao seu lado.
— Vi isso no carro, não interprete demais. — A voz era tão fria quanto sempre.
Ela pegou o curativo, olhando para ele de forma estranha:
— Obrigada.
Alexander retirou a mão, contraiu os lábios e disse:
— Mais tarde mandarei alguém redigir um contrato pré-nupcial. Você assina quando estiver pronto.
Emily apertou o curativo entre os dedos:
— Tá bom.
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O carro chegou à cafeteria pouco depois.
— PFFFFT.
Sarah cuspiu um bocado de água — mas, por sorte, Emily desviou a tempo e não levou no rosto.
— O que você disse?! Você realmente se casou com Alexander Hayes?!
Sarah enxugou a boca depressa, com os olhos arregalados.
Emily assentiu e limpou o respingo com um guardanapo.
— Mas ele está numa cadeira de rodas!
— Ele tem dinheiro.
— Mas ele é cruel, frio e sem coração!
— Ele tem dinheiro.
— Ele pode ser um psicopata!
— Ele tem dinheiro.
Sarah: — ...
O dinheiro realmente é uma coisa incrível.
Respirando fundo, ela olhou para Emily bem na frente dela — e, conhecendo-a como conhecia, estreitou os olhos devagar.
— Seus pais te pressionaram com alguma coisa, né?
Emily não era interesseira. Jamais se casaria com um estranho só por dinheiro.
Emily ficou em silêncio.
Isso era resposta suficiente.
Sarah explodiu:
— Droga! Eu sabia! Com o que te ameaçaram?
Depois de um longo silêncio, Emily olhou pela janela, a voz amarga:
— Disseram que, se eu não concordasse com o casamento, a vovó não...
Sarah bateu na mesa:
— Que tipo de gente é essa?!
Os pensamentos de Emily foram arrastados devagar para o passado.
Seus pais nunca a amaram — especialmente a mãe. Ela sabia disso desde criança.
Por ter causado uma hemorragia grave no parto, quase matando a mãe ao nascer, foi tratada como um mau agouro. Sem nem ao menos olhar para o rosto da filha, a mãe a deixou no interior, onde a avó a criou sozinha.
Desde pequena, Emily tinha saúde frágil e vivia de uma doença em outra — mas a avó nunca demonstrou o menor desgosto por ela.
No começo, ela ainda nutria a esperança de que os pais viessem visitá-la. Mas ano após ano, além de enviarem dinheiro de tempos em tempos, eles nunca apareceram. Nem uma ligação. Nem uma videochamada.
A esperança foi morrendo aos poucos.
Até seis anos atrás, quando a avó ficou doente. Foi a primeira vez que Emily voltou àquela casa que era nominalmente a dela. Esperou receber, enfim, o amor que havia faltado por tantos anos.
Mas...
— Emily, olha lá!
A voz de Sarah a trouxe de volta ao presente.
— Ryan Foster, você me mentiu e agora quer fazer as pazes? Pode sonhar!
Uma briga havia estourado bem na frente delas. Emily reconheceu a moça — era a mulher para quem Ryan havia pedido em casamento no shopping.
— Amor, me escuta, eu gosto muito de você...
Emily desviou o olhar, um sorriso de escárnio nos lábios.
Ele havia dito exatamente isso para ela. Tantas vezes — especialmente na época da faculdade, durante os três meses em que a cortejou sem parar — que ela acabou cedendo e concordando em namorar com ele.
Não era nem que ela gostasse tanto assim dele.
Só de pensar que fiquei com alguém tão miserável já me dá náuseas.
Ela desviou o olhar dos dois e voltou a conversar com Sarah sobre outros assuntos.
— Emily Carter, você já enjoou do espetáculo?
De repente, uma voz irritada soou bem perto do seu ouvido.
No segundo seguinte, líquido gelado de café derramou sobre ela da cabeça aos pés.