Ruby
Comprei a câmera numa manhã comum, dessas em que o coração acorda inquieto sem saber exatamente por quê. Não foi impulso. Foi necessidade. Uma urgência de não deixar escapar nada do que está acontecendo agora. E eu queria algo mais profissional.
A caixa ficou alguns minutos sobre a mesa da sala antes que eu tivesse coragem de abrir. Andrew estava no quarto com Dustyn, conversando com ele como se estivesse explicando segredos do mundo. A voz dele vinha baixa pelo corredor, misturada com risadinhas pequenas, recém-aprendidas.
— Isso, campeão… olha pro papai… isso… assim você me quebra inteiro — ouvi Andrew dizer, rindo.
Sorri sozinha.
Abri a caixa com cuidado, como se o objeto ali dentro fosse frágil demais. A câmera era bonita, simples, do jeito que eu precisava. Nada sofisticado demais. Eu não queria perfeição. Queria verdade.
Liguei. O visor acendeu, e pela primeira vez senti que talvez eu estivesse fazendo a coisa certa. Entrei no quarto devagar.
Andrew estava sentado na poltro