Ruby
Eu achei que depois do susto com o acidente, o pior já tinha passado.
O médico recomendou calma, repouso, o mínimo de estresse possível. Andrew levou isso tão a sério que encheu a casa de seguranças, câmeras e regras novas. Nada de sair sozinha, nada de andar a pé, nada de “me expor sem necessidade”.
Eu entendo. De verdade. Mas também tem horas em que parece que estou vivendo numa bolha de vidro, vigiada o tempo todo.
Naquela manhã, depois de muita insistência, consegui uma pequena vitória.
— Eu só quero ver roupinhas, Andrew. — pedi, sentada na cama, com a mão na barriga. — Não vou atravessar a cidade correndo uma maratona.
Ele suspirou, cansado.
— Ruby, você quase perdeu o bebê. — lembrou, como se eu tivesse esquecido.
— Eu sei. É justamente por isso que quero viver as coisas boas também. — respondi. — Escolher uma peça de roupa, ver aquelas coisas minúsculas… eu preciso disso.
Ele me observou em silêncio, como se lutasse com ele mesmo.
— O Dan vai com você. — decidiu. — E você