Ruby
Eu acordei com a sensação de que algo estava errado. Não era medo claro, nem um pensamento específico. Era como se o ar estivesse mais pesado. Como se alguém estivesse me observando mesmo quando eu estava sozinha.
Abri os olhos devagar e fiquei alguns segundos olhando o teto, tentando convencer meu próprio corpo de que era só cansaço. Mas não era.
Dustyn dormia no berço ao lado da cama, o peito subindo e descendo com tranquilidade. Aquele som ainda era a única coisa capaz de me ancorar no presente. Levantei, fui até ele e encostei os dedos em seu cabelo ruivo claro.
— Mamãe está aqui… — sussurrei.
Mesmo assim, o aperto no peito não cedeu.
Nos últimos dias, pequenas coisas começaram a se acumular. Ligações mudas no celular. E-mails estranhos, enviados de contas inexistentes. Um carro preto estacionado do outro lado da rua por tempo demais. Sempre indo embora antes que qualquer segurança pudesse agir.
E eu sabia. No fundo, eu sabia. Astrid não tinha desaparecido. Ela só tinha se r