Ruby
A empresa começa, finalmente, a me respeitar.
Não é algo que acontece de um dia para o outro, mas eu sinto. Nos olhares que já não desviam. Nos cochichos que cessam quando entro na sala. Nos e-mails que agora começam com “Prezada senhora Sinclair” e não mais com dúvidas disfarçadas de formalidade.
Os investidores voltaram. As ações se estabilizam. As manchetes mudam de tom.
— “A viúva que assumiu o império.”
— “Força feminina à frente da Sinclair Corporation.”
Eles não sabem metade da verdade. Não sabem que, por trás de cada reunião bem-sucedida, existe um homem que nunca aparece nas fotos. Um homem que caminha sempre meio passo atrás de mim, mas enxerga tudo antes que eu veja.
Ethan.
Durante a reunião com a equipe jurídica, eu o observo de canto de olho. Ele está sentado ao meu lado, postura relaxada, mas atenção absoluta. Não fala muito. Não precisa. Quando um advogado tenta contornar uma cláusula, Ethan apenas ergue o olhar.
O silêncio que se forma diz tudo.
— Alguma objeção,