Mundo ficciónIniciar sesiónCAIM LEE
Era a cortina perfeita para esconder o que realmente acontecia ali: experimentos genéticos proibidos, pesquisas que desafiavam todas as leis da ciência e da ética, e segredos que, se revelados, causariam um escândalo mundial e destruiriam a vida de todas as pessoas envolvidas.
Enquanto Caim caminhava com dificuldade pela lama, alheio a todo o sistema de olhos invisíveis que o observava, os homens responsáveis pela segurança do laboratório faziam o seu trabalho, na maior parte do tempo entediados e cansados.
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Numa cabine de vigilância, um dos guardas passava o turno da noite sentado diante de uma parede de monitores, todos ligados, mostrando imagens de diferentes partes da floresta.
O ar dentro da cabine era frio, e ele estava enrolado num casaco grosso, com uma xícara de café quente na mão, que segurava com força para tentar se aquecer.
— Porra, que frio danado hoje… — resmungou baixinho, passando a mão por entre os cabelos curtos e grisalhos. Olhou para fora da janela, onde via a chuva cair forte, embaçando o vidro. — E ainda começou a chover, pra completar. Só queria estar agora na minha cama, dormindo até amanhã cedo… — reclamou, dando um gole no café amargo e forte.
Seus olhos iam de um monitor para outro, por hábito, pois já sabia que na maioria das vezes não via nada de diferente. Mas, de repente, ao olhar para a tela que recebia imagens da câmera com visão infravermelha, instalada na parte leste da reserva, ele parou.
Ficou imóvel, os olhos fixos numa mancha clara que se movia lentamente, mas de forma constante, entre as sombras escuras da floresta. Franziu a testa, aproximou o rosto da tela, tentando entender o que era.
— Que é isso? — murmurou. No começo, não conseguia distinguir: poderia ser uma onça, um cachorro selvagem, algum animal grande que se movia na chuva. Mas, ao observar melhor, percebeu que o formato, o tamanho, a forma como se movia… não era de nenhum animal que ele conhecesse. Tinha duas pernas, ereto, andando como uma pessoa.
— Parece um ser humano… — disse, com a voz um pouco mais alta, surpreso. — Mas não pode ser. Nenhum dos nossos homens faz ronda nessa região, muito menos a essa hora da noite, com essa chuva toda. E ninguém de fora é louco o suficiente para entrar aqui — pensou.
Sem ter certeza, mas sabendo que não poderia ignorar, ele largou a xícara de café na mesa, pegou o rádio de comunicação que ficava ao seu lado e apertou o botão para falar com a equipe que fazia a ronda externa, perto dos muros do laboratório.
—** QRA — Falcão, aqui é a cabine de vigilância. Estou detectando movimentação na área leste da floresta, cerca de dois quilômetros da cerca principal. Pelo que vejo nas imagens, parece ser uma pessoa. Repito: parece ser um ser humano caminhando pela mata — falou, com a voz mais séria e firme que conseguiu.
Do outro lado, a resposta demorou alguns segundos, até que um homem com voz grossa e cansada respondeu:
— QAP — Cabine de vigilância, estou ouvindo. Uma pessoa na floresta, a essa hora? Com essa chuva? Você tem certeza que não é um animal, ou um erro do sistema?
— Não tenho 100% de certeza ainda, mas é muito parecido com uma pessoa. E o sistema está funcionando perfeitamente. Vou entrar em contato com a senhora Helga agora mesmo, e já te passo as coordenadas exatas. Câmbio, desligando — respondeu o guarda, já apertando outro botão no rádio, um canal que só era usado para falar com uma pessoa: a diretora e principal cientista do laboratório, a senhora Helga .
Ela era quem comandava tudo ali. Todas as decisões importantes — desde o início de uma nova pesquisa até o que fazer com pessoas que, por acaso ou curiosidade, chegassem muito perto do segredo — eram tomadas por ela.
Uma mulher fria, inteligente, extremamente dedicada aos seus estudos, que não media consequências para chegar aos resultados que queria. Para ela, seres humanos eram apenas objetos de estudo, material de trabalho, e suas vidas valiam muito pouco perto do que ela considerava “o progresso da ciência”.
O rádio tocou apenas uma vez, e a voz dela ressoou, clara, firme, sem nenhum sinal de sono ou cansaço:
— O que aconteceu?
O guarda endireitou-se na cadeira, sentindo o coração bater mais rápido, como sempre acontecia quando falava com ela.
— Boa noite, senhora Helga. Aqui é o responsável pela vigilância noturna. As câmeras acabaram de identificar uma movimentação na parte leste da floresta. Ainda não temos certeza absoluta, mas tudo indica que é um ser humano caminhando em direção ao nosso território — explicou, com cuidado, escolhendo bem as palavras.
Do outro lado, o silêncio durou longos segundos, um silêncio pesado que parecia durar minutos. Então, a voz dela voltou, mais fria e determinada do que nunca:
— Não sei quem seria louco ou ingênuo o suficiente para entrar na nossa floresta a essa hora, e com esse tempo. Se for realmente um humano, não quero que ele seja ferido. Quero que seja capturado vivo, e trazido diretamente para mim. Entendido?
— Entendido, senhora. A ordem é captura, sem violência mortal. Vou passar as instruções imediatamente — respondeu ele, respeitosamente.
— Exatamente. Quero descobrir quem é, o que sabe, e principalmente: por que ele veio até nós. Ninguém chega aqui por acaso — completou ela, e desligou o rádio sem esperar por uma despedida, como sempre fazia.
O guarda respirou fundo, voltou ao canal de comunicação com a equipe de ronda e falou rapidamente:
— QRA — Falcão, ordens diretas da senhora Helga: você e o seu parceiro devem se deslocar imediatamente para a área leste, nas coordenadas que vou enviar agora. Se for um ser humano, não usem armas letais. A ordem é capturá-lo vivo, sem ferimentos graves, e trazê-lo para dentro do complexo. Entenderam?
— Entendido, cabine. Captura, sem matar. Estamos indo agora mesmo, com cuidado para não ser vistos. Aguardando as coordenadas. Câmbio
— respondeu Falcão, e já se podia ouvir o som de passos rápidos e armas sendo preparadas ao fundo.
Enquanto isso, o guarda da cabine olhava novamente para os monitores, acompanhando o ponto de luz que se movia devagar, mas sem parar, pela floresta molhada.
Enviava as coordenadas exatas para a equipe de ronda, e atualizava-os a cada minuto, dizendo onde o intruso estava, qual caminho seguia, quanto tempo devia demorar até chegar à zona de captura.
Lá fora, na escuridão e na chuva, Caim continuava a caminhar, encharcado, cansado, mas com a certeza de que estava prestes a encontrar a maior história da sua vida. Não fazia ideia de que, a cada passo que dava, se aproximava cada vez mais de um perigo que não imaginava, e de pessoas que não hesitariam em aprisioná-lo para sempre, só para manter os seus segredos enterrados na floresta.
**************************************************************************************************** O Código Q é um conjunto padronizado de abreviações de três letras, todas começando com "Q", criado para facilitar a radiocomunicação. Amplamente utilizado por militares, polícia, aviação e segurança, ele agiliza mensagens, garantindo clareza e rapidez
QRA- Nome do operador ou da estação.
QAP: Está na escuta? / Na escuta (pronto para ouvir)







